A Feira da Ladra
Fotografiaa minha
É uma feira popular, de objectos usados, que ocorre na cidade de Lisboa às terças-feiras e sábados. Com raízes que remontam ao século XIII, a Feira da Ladra andou de sítio em sítio, até se fixar no Campo de Santa Clara. Dedica-se, sobretudo, ao comércio de velharias, objectos de segunda-mão e artesanato. Tudo se vende aqui! Tudo se pode encontrar lá e já faz parte do roteiro turístico da cidade.
À imagem de outras feiras no estrangeiro, a feira da Ladra é um ex libris da cidade de Lisboa e o seu mercado mais antigo. Duas vezes por semana, de sol a sol (literalmente) os "feirantes," ou pessoas que queiram "rentabilizar" os seus trabalhos ou bens usados, expõem-nos por tendas, bancas, ou mesmo por panos espalhados no chão, a quem passa e vai ou não "licitando" ou manifestando o seu interesse nas peças expostas.
Com outras feiras (Relógio, Galinheiras, Terreiro do Paço, Time Out mercado da Ribeira), etc., são uma fonte de distracção e de procura de bens a preços mais acessíveis. Torna-se, também, o lugar de encontro dos mais velhos, para matarem um pouco da solidão das suas vidas.
Hoje está tudo muito mudado. Antigamente qualquer pessoa agarrava nos seus pertences, escolhia um local e vendia, por uma quantia irrisória! Quando o "fiscal" passava, atribuía, segundo o seu critério, o valor ao espaço "alugado/ocupado!"
Presentemente tudo é controlado e mais organizado, mas não tão justo! Nem "límpido". Há quotas e mapas que organizam metros! Estipulam preços, por área (que por vezes nem corresponde) para se poder frequentar. Mas ninguém se coíbe de colocar em cima do "outro" que já lá estava, num "chega para lá, que dá para todos" e que não está certo. Ainda assim, será sem dúvida um local pitoresco a não deixar de ir e quem sabe... Por lá encontrar algum "tesouro!"
Matei saudades da Feira da Ladra, um dia destes! Íamos lá, em pequenina, eu pela mão da minha avó), passear. Os sobrinhos, miúdos de hoje sem necessidades, são "utentes" ocasionalmente, como muitos jovens, para arranjar mais "algum" por graça e desafio de outros, que se deslocam em grupo! Não por que muitos não tenham dinheiro/mesada, mas gostam do "curtido" que é ir e vender. Daquela miscelânea de culturas e colorido.
Conhecem-se verdadeiras preciosidades nestes locais, o que nos enriquece (até porque o Panteão Nacional é próximo, também) e não só. Há sempre "vultos catitas," gente da nossa cidade, "gingona" e folgazã, ou as anciãs e anciãos que nos contam histórias de vida, mergulhando na história da cidade e ficam tão imbuídas, umas, na outras, que nos damos conta de ser levados por imaginários de encantar, apaixonados por tudo, ou não...
Há quem ache "um antro, foleiro, etc.!
Os cantores de “jazz”, madrugadores, ou vindos de uma noitada, abancam e brindam-nos com uns temas, qual "Harlem" alfacinha. A miúda "hippie" fora de tempo, com os seus trejeitos, herdados quiçá, embala-nos para esse passado, à velocidade da luz. O "fadista" apimentado e o "engatatão" tosco, que dão riso, também cá moram. O homem tatuado, monta o estaminé com tudo o que me seduz.
O vizinho do lado é jovem! Engraçado. Vende roupa e sapatos em enormes baús. É da Associação que fornece aos toxicodependentes, muito do apoio, é esta venda que traz. O companheiro da direita, chama-se Mustafá! É negro como a noite e simpático com um dia de sol.
Entre mais e muitas personagens. Escolha-se uma, que se encontra! Enfim... É um mundo, dentro de outro mundo, uma feira destas.
Seis da manhã! A rua está vazia. A ponte cheia de carrinhas a despontar e a concorrer, para ver quem chega primeiro, dividindo-se para cada ramal da cidade, consoante as feiras que vão. Sete da manhã! A porta do carro bate-se.
O Tejo brinda-nos, cor de prata, com "verdete" num dia que se adivinha quente e buliçoso. Sacos na mão. Sobe-se a encosta, já pejada de gente, que se aninha para a luta que é, esta labuta de lugar e licença, de sorrisos francos nos rostos e fé que vai ser lucrativa a venda!
O (novo) "comerciante" aparece e sem perceber muito do usual, é recebido com um filho "amado!" Sente-se, em casa. O fiscal, pachorrento, de colete verde reflector e pasta descaída na outra mão, pendurada, confere os papéis e lá vai distribuindo locais, dono e senhor do perímetro.
Um dia destes? Fui à feira. Vender!
Adorei, tanta cor! Tradição. Peripécias e malabarismos. Culturas. Música! Risos genuinamente dados, em rostos tinidos pelo sol, curtidos pelo vento, que arranjam sempre um bocadinho para mais um. A graça que tem olhar para as coisas e pensar que aquilo já foi moda e que era caríssimo...
Hoje, vende-se a um euro. Cinquenta cêntimos.
Gosto da feira! Porque também sou esta. Eles a "minha gente!"
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