Para o púdico Facebook estes poemas não são (não falam, ou apelam, como me foi dito...) ao sexo

enquanto escravo!
enquanto escravo patrão
minha carne sera o teu pão
minha sede sera tua água
meu corpo tua almofada
minha dor o teu prazer. ..
enquanto escravo patrão
não vou negar, serei o teu chão
vou me ajoelhar na sola do teu sapato
serei o prato e a comida do teu gato
vou me render ao teu chicote invasor
e no tambor do teu grito de opressor
erei cantar cantares forçados de amor
a sangrar milênios de sangue e a dor.
enquanto escravo
enquanto pobre
o rico vai me estuprar a inocência
beberá a esperança de toda infância
nos meus olhos secos de miséria. ..
enquanto escravo
ninguém vai me calar
vou gritar sim...sim vou
vou tanto o quanto escravo.

GRUPO - ALCL - ACADEMIA DE LETRAS CAMAC LEON
No centro da sala
Ontem foi mais um dia como tantos outros… Ontem ela estava no centro da sala despida, deitada, sorridente e atrevida…
Colocada em posição, num aroma comovente e sedosamente deleitada sobre um manto.
Ontem foi mais um dia e tanto…
E sobre a tijoleira preta, o manto cinzento se esgueirava e corpo que amava se abria, numa cor de alegria… Corpo branco…
Se aguento? Vou ser franco, tento.
Mas ontem, aquele aglomerado de curvas que assentava nos meus olhos, fazia telintar a íris em cores metálicos… Eu via ouro!
Ontem ela serpenteava para que eu a visse em cada milímetro… Esquerda… Direita… Audaz ondulação… Um pé, outro pé… Pernas, braços, uma mão e outra… Não!
Impossível resistir à eloquente e sedutora menina, que baila na sua simplicidade, mas intensa para o meu pulsar.
Os gestos delicados eram a afirmação e a confirmação directa, do seu sorriso ao que eu preciso…
O peso que exercia na sensualidade fazia transpirar as vontades da corporalidade… da minha vontade…
Foi ontem que me vi nu no centro da sala, nem lembro o tempo em que me despi… O sentimento e o físico se atreveram naquela sala, onde a vi…
Serpenteamos, nos agarramos e fizemos a função de vedante… Nos unimos naquele instante.
Ontem eu vi ouro… E os sons metálicos eram os sussurros que se evidenciavam e celebravam o amor…
Ontem foi mais um dia… A mesma intensidade… A mesma cor…
Ontem foi no centro da sala… Amo a visita guiada pelo corpo, às divisões de quem não me cala…
José Alberto Sá

Amantes da Poesia
Sinto-te e imagino…
Sinto-te junto a mim...
Sinto teu cheiro, teu aroma de mulher...
Sinto teus beijos e teus abraços...
Sinto como nunca senti ninguém, embora não te tenha e nem veja as tuas maravilhosas carnes, que me enlouquecem...
Mas não te tendo, imagino...
Não te abraçando, imagino...
Não te beijando e não tendo a tua língua em minha boca, imagino...
Não beijando teu ventre, imagino...
Não fazendo amor contigo, imagino...
E por tudo isto imaginar, sinto-te comigo, sinto-te nua, sinto-te de corpo prostrado e de pernas bem abertas, pedindo...
- Vem amor...
- Vem e entra em mim...
- Faz-me vibrar como sei que vibras, quando me tens e quando eu sou tua...
Vives em mim, porque te sinto e imagino.
António Basílio Bernardo
Clube dos Poetas Mortos

Pensamentos & desejos
As vezes fico imaginando nós dois,
Entre quatro paredes,
Sobre lençois fumegantemente perfumados
Convidando ao ápice do prazer,
Onde lábios cheios de desejos se entrelaçam,
Mordiscando um ao outro,
Sugando líquidos prazerosos do nosso corpo,
Contorcendo-se em uma dança revigorante,
Traduzindo palavras de gemidos em gestos,
Com os corpos colandos,
Despindo-se desesperadamente,
Deslizando em superfície úmida lisa,
Tocando no que é inevitável incomensurável,
Segurando, dominando o que já te pertence,
Fazendo-me submissa aos teus encantos,teus dotes,
Sentindo assim seu mastro adentrar em meu subterrâneo alagado,
Encaixando, mexendo num vai e vem delirante, que toma posse da carne bruta,
Erguendo-me em seus braços,
Enquanto nossos corpos mostram todas nossas simetrias em movimentos no espelho
Denunciando atos maliciosos, ensandecidos, óbvios, sublimes,
Embalando o que a alma já sabe,deseja,quer sentir,que tocar,
Suspirando fantasias, línguas,loucuras,
Degustando sabores doces, amargos,salobras,
Bebendo e se embriagando do nosso próprio orgasmo sentindo,
Fazendo--me sua totalmente sua!
Onde as vontades sobrepõe-se entre gemidos com aromas e prazeres supremo.
Mônica Campos
31/08/18
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