Respeito, temor e... relatividade

Na Vida uma porção de coisas, são relativas.
Umas tocam-nos de raspão e seguem. E as que rasgam? Curam-se.
Não é uma brisa qualquer que me derruba! Nem um vento mal disposto, ou um tornado invejoso da calmaria dos meus dias, que me faz recuar. Eu já passei por tanto... Já perdi quase tudo na vida e do pântano mais severo, levantei-me! Enlameada, exausta e coberta de equimoses, mas vinguei. E regressei... vingada, que já nada me assusta! Ou muito pouco tira o sono.
O que respeito na Vida, são as variantes. Os murros à traição. Aqueles, para os quais não há remédio... ainda! Respeito tudo o que, espero ardentemente, nunca me aconteça.
- Respeito e temo, na Vida, o cancro! Que levou a minha avó, um tio e sujeitou o meu pai a um calvário imerecido. Não sei se foi ele que o matou...suspeito, que sim. Porque o cancro também é covarde! Esconde-se. Amaina e depois volta, com tudo. Sim! Respeito o cancro. O poder vir a tê-lo, pelo factor, consanguinidade.
- Respeito, ao extremo, quem perde um filho. Um filho, para a morte, ou um filho para o Mundo. É das coisas que mais me apavoram e que respeito.
- Respeito profundamente, as camas dos hospitais cheias de pessoas sós e sem futuro. As horas que passam no relógio e ninguém os visita, ou reclama. As lágrimas que engolem em silêncio. E os corredores de uma urgência, onde se amontoam corpos na esperança de serem vistos, à míngua de tratamento.
- Respeito e insulta-me o tudo que devia, mas não abunda, por trás das portas dos orfanatos. Repugna a falta de amor por quem fica à mercê de "preceptores", freiras, ou outros.
- Respeito a fome. Sendo que nunca a senti. Não temo o frio. Porém, respeito o fogo. E as pessoas largadas pelos bancos do jardim e na calçada, portuguesa. Respeito a Sida. O Ébola. O Dengue... E a falta de vacinas e de anti anticoncepcionais. As prateleiras dos supermercados vazios.
- Respeito quem entra num barco e deixa para trás, tudo, para vir ao encontro do que o salvará. Ou, não! Respeito-os, imenso. Respeito, consequentemente a guerra!
- Respeito e temo o tráfico de pessoas e de órgãos. O submundo da mente humana. A perda de tudo que os designa como gente e a veneração pelo dinheiro "fácil".
- Respeito as mulheres que denunciam! Que sentem que é tempo de mudar de Vida, antes que a Morte lhes seja oferecida. As crianças que, na sua inocência, percebem que "certas coisas" cometidas por um pai; um amigo, ou vizinho, não são normais. Respeito mulheres (e homens, também) humilhados, violados, discriminados e vítimas (igualmente) do obscurantismo de outros humanos. Respeito-os, sobremaneira!
Respeitarei, ainda, muito do que não me ocorre... mas não respeito "outras coisas e actos premeditados" que não vou dizer! Acrescentarei, unicamente, que não é qualquer coisa que me derruba! Mesmo sendo temente a todas as reviravoltas e ironias da Vida. E por quê? Chegada, a esta etapa... já calcorreei desertos, sem água, nem sapatos. Me atingiram vários tipos de borrasca, atravessei-os e permaneci... INTEIRA!
E de tudo que pensei ser perda, afinal, foi ganho. Hoje... sou outra, mas não menos, tenaz. Pelo contrário! Sempre dei o peito às balas... porque vestiria agora, um colete, para lhes escapar?
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