Da... obrigatoriedade de visitar os cemitérios

Como não vestir preto, optar por não seguir os normais rituais de homenagem a quem nos morreu, é um direito inalienável. Visitar um cemitério, nestas datas, é quase um dever. Quando no resto do ano muitos não põem lá os pés, o que importa deslocarem-se lá, agora?
Não gosto de nada, feito, por obrigação. Sei os deveres que tenho porque a sociedade mos impõe e o meu direito de lhes fugir e, até, de os renegar.
Isto do dia de Todos os Santos e Dia de Finados é, como tanta coisa nesta vida, mais um desfile de vaidades. Um cumprir com os "serviços mínimos". Sobre tudo... continuar a pactuar com o "viver de aparências."
As saudades que tenho do meu pai... são indescritíveis hoje, que se cumpre mais um mês sobre a data em que foi a enterrar, mas a falta que ele me faz SEMPRE, é incomportável. E, no entanto, tenho de "passar por cima". Sobreviver da melhor forma.
Não há um dia que passe, que ele não continue ao meu lado. Porém, vistá-lo na sua última morada, é feito com a normalidade que atribuo ao que acho natural. Quando... e, só, entendo dever ir. Não, porque outros mo exijam. Achem que fica bem. Ou, se...
Não compactuo com ses... obedeço ao meu coração, à minha consciência. E abomino teorias, que na prática, não passam de mero "fogo de vista".
Veremos os cemitérios cheios de flores nestes próximos dias. Uma romaria de almas, que "visitam" outras almas, como se fossem tomar chá. Beliscam um bolinho, atiram dois dedos de conversa para o ar, e... está o "dever" cumprido. Mostraram a todos que estiveram lá, ainda que com a cabeça noutro sítio. O telemóvel sempre na mão e um tédio infinito no olhar.
Não é assim que entendo estes dias, para mim... dias, como os demais. Nem é por ter de ser nestes dias, que vou... por ter de mostrá-lo a alguém. De certa forma eu... estou sempre lá. Sempre com ele e ele comigo. Honro os meus mortos em silêncio. Rezo-lhes, muito simplesmente, uma oração simples. Deponho sobre si, flores singelas. Derramo lágrimas de sangue, que tento engolir, sem aparato. E saio, como cheguei. Paupérrima! Desde que mo roubaram. Que nos tiram o melhor de nós... quem pode continuar igual? Ninguém.
A obrigatoriedade de ir aos cemitérios, devia ser substituída pela de tratar bem as pessoas em vida. Fazer-lho, notar. Oferecer-lhes as flores que gostassem, para que as possam cheirar e ver. Cobri-los de beijos e abraços, e... até de lágrimas emocionadas, de tanto amor. Porque o dever de os amar, está implícito no nosso Adn. No sobrenome igual. Nos traços fisionómicos que nos caracterizam. Em tudo que lhes DEVEMOS em vida. Depois... já é tarde!
Como concordo contigo devemos estimar e honrar as pessoas enquanto vivas homenagens postomas são mais para encherem os vivos da sensação de dever cumprido nada mais
ResponderEliminarObrigada, Nuno. Um abraço!
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