Os Enjeitados
- Como é que alguém com poucas posses "decide" ter vinte e quatro filhos?
- Como desses todos, se escolhem aqueles, com que "não se pode ficar?"
- Quem é que vende um filho por dinheiro e aceita, não saber mais dele, por toda a sua vida?
- Como é que se consegue dormir à noite em paz, quando... qualquer mãe, se preocupa com o filho(a), seja ele o vigésimo terceiro ou o primeiro. Está sempre atenta ao que lhes acontece e, sem chorarem, os ouve chorar à noite. Levanta-se, às vezes ensonada e a custo, para ver se estão bem e certificar-se, que: dormem como anjos?
- Como se é capaz de olhar nos olhos, os filhos e "disfarçar" que falta um. Que esse, não foi comprar pão à padaria, nem regressará mais tarde da doutrina, mas está... para lá do vasto oceano, sabe-se lá a passar o quê?!
- Como é que alguém supõe que todos os filhos de que se descartou, foram viver o "sonho americano" e seriam,... felizes, para sempre?!
- Como se chama "necessidade" a desleixo, negociata. Livrar-se de "mais um peso..." - mais uma boca para alimentar, um corpo para vestir, educar e fazer dele homem ou mulher -, quando não se é homem, nem mulher que chegue?
- Como é que alguém acha que resolve os problemas dos filhos que já tem "metendo-se debaixo de um homem" - (ipsis verbis) que lhe dá dinheiro, na hora, mas traz-lhe mais um "problema" se para "livrar" no futuro?
Há coisas que não devíamos saber! E se por acaso sabemos, não devíamos calar, quanto mais ficarem impunes. Há coisas que por mais compreensão que se vá buscar, não se compreendem. Nem se admitem.
Talvez, a maior parte dos casos não seja assim tão simples de analisar, - se cada um é um caso, muito particular -, não obstante como se consegue passar por cima disto a achar normal, ou que é bem feito?!
"Há sempre uma solução, para tudo, menos para a morte..." dizem. Pode não estar na frente dos olhos hoje e amanhã, também não, mas existe! Quiçá, na aldeia vizinha, na cidade mais próxima, ou até no Continente. Há sempre alguém com quem se pode falar e pedir ajuda. Mas vender um filho? Não me falem de desespero, de vergonha, de dificuldades extremas... porque para os fazer não estiveram como "ss, nem rr".
- Como é que alguém explica aos outros, filhos e (em geral) por quê, aquele(a)... em detrimento de um qualquer? E como é que alguém consegue, se correu mal, não se recriminar por toda a vida pelo duplo mal que lhe causou?
- Como é que alguém pode encarar hoje um filho, que tenha (com a sua "decisão") sujeitado a violações e traumas infinitos... lá longe, na "terra de ninguém" sem alguém familiar ou conhecido por perto, para o salvar?
- Como é que um filho "dado", ou, transaccionado, pode querer saber - agora -, de uma mãe, que nunca quis procurá-lo: Saber dele? Simplesmente "tratou do priblema" e não se fala mais nisso?

Separar-se de um filho na guerra, por ser tirado aos seus, é um horror e qualquer um de nós se emociona e revolta. Vemos todos dias barcos cheios de crianças refugiadas, que fogem com os pais, em busca de melhor vida... e raro é a criança, deixada para trás. Quando partem, para o destino (melhor ou pior), trazem-.nos consigo. Enfrentam juntos a adversidade. Não percebo, como se "dá" um filho. Mas aceito que se tente dar-lhe melhor vida, em situações extremas. Porém, jamais sem saber onde está! E como está?
Desligar-se completamente de quem se carregou nove meses no ventre e fazer de conta que não existiu... é-me completamente inaceitável. Privilegiar um, em detrimento dos outros todos... como se escolhe? E como se vive, sem saber... se está feliz? Se ainda respira?
E uma situação difícil de compreender mas também de julgar. É uma situação que ndo me atrevo a julgar acredito piamente que muitos destes psis e mães tenham apenas tentado tirar os filhos da miséria a que estavam condenados se ficassem acredito também que muitos hove que o fizessem por dinheiro maldade desprendimento mas nso vou julgar não posso não devo até porque ndo sei as circunstâncias particulares de cada caso
ResponderEliminarOlá, Nuno! Obrigada pela tua visita
ResponderEliminarTalvez pareça que estou a julgar, mas não estou. É uma conversa comigo, tentando compreender, como... e na verdade, também concordo contigo. Por isso disse, no post que cada caso, é um caso e muito específico. Porém,. nos casos em que a ideia era salvá-los da miséria e tentando acima de tudo, o melhor para eles, sabes e foi dito, que houve e há casos que sofreram violações e maus tratos. Que... se calhar não sofreriam no seio da família, ainda que pobre. Depois, o que me "confunde" é: como é que se escolhe um filho(a) por exemplo, entre dois,? Qual deles deve ter um futuro brilhante e outro não? É complicado e um bocado infeliz e infame, essa escolha. Até porque acontecia e ainda acontece cá, no Continente, quando filhos de famílias numerosas, a uns era dada a hipótese de estudarem e, ou, ingressarem no sacerdócio acabando por se formarem também e os outros andavam no campo e noutros trabalhos. Agora, diz-me. Não teriam uma certa revolta e ficariam sentidos por, aos irmãos ser dada oportunidade e a eles uma enxada, ou um lugar numa fábrica ou mina, a trabalharem de sol a sol.
A sério que não estou a julgar, apenas a "falar alto" e a tentar perceber... depois quantos de esses não eram filhos dos próprios militares da base? E consecutivamente assim, seria o melhor de resolver a "coisa". É um tema triste. Resumindo: Quem é que pode assegurar a alguém que o filho que deu, ou dispensou, a outro, vai ter sucesso na vida, vai ser feliz, "tudo vai correr sobre rodas?" Ninguém! Para mim, só esse facto já me faz confusão, Depois o não poder saber mais dele(a) não ter notícias e ser como se nunca me tivesse estado dentro, isso é impensável. Mas, continuo a dizer que não julgo! Apenas sou muito grata, por na minha vida, nunca ter passado por tal.
Uma boa semana
Olá!
ResponderEliminarFico muito contente por a voltar a "ver" por aqui !
Ainda bem que voltou .
Quanto à publicação felizmente que com pouco ou muito a nível financeiro , eu e o meu mano sempre tivemos amor igual por parte dos nossos pais .
Beijinhos
Olá, Ana!
ResponderEliminarAgora emocionei-me. Muito obrigada. Muito obrigada de coração por tudo! E que bonito o que diz. O amor dos nossos pais, ainda que com dificuldades maiores ou menores, é sempre o nosso melhor porto de abrigo.
Um grande beijinho e um grande abraço para si e todos que ama. E mais uma vez, muito obrigada por continuar aí. Pelo seu carinho e companhia. Uma boa semana.