Call Me by Your Name
Não esperava vê-lo tão depressa, ou perdi-me no tempo e ele depressa passou até hoje. Assim, sentei-me no meu sofá. sem pipocas, mas com um café perfumado e quente na mão e fui degustando. Bebida e filme.
Claro que o filme levou a melhor, por mais lentamente que fosse bebericando o meu café. Ora, bem: O que dizer sobre e depois de ouvir falar tanto e sempre, com imenso pesar, pelo coitado do rapaz.
Gostei. Para mim o filme vale essencialmente pela conversa (excelente) paternal no fim. Pelo silêncio empático, que diz tudo, da mãe. Os extraordinários pais que aquele "puto" tinha. Isto a ser transportado para a vida real e pode acontecer.
Seja: Sarcasticamente falando adorei a cena de sexo... aquela árvore era absolutamente excitante! Ficar-se a olhar para ela, durante... é realmente o zénite. Mas, adiante viria a cena do pêssego, e aí... sim. Mesmo assim... seja! Não percebo, ás vezes, tanto puritanismo no que respeita à homossexualidade, ou à ambivalência, neste caso.
A ambivalência... uau! Sempre me confundiu. Ou melhor... magoa-me, previamente, pelo que pode trazer a seguir. O amar-se duas pessoas, (ou, mais) sejam do mesmo sexo (ou, não) provocou-me desde sempre, a sensação de sufoco! Não tem nada a ver com escândalo ou preconceitos e congéneres. Acontecer amar... não se escolhe e o amor pode pregar-nos duras partidas. É neste campo que tudo se passa e começo a hiperventilar. Amar "ambos/as" pessoas, fará impreterivelmente com que uma, ou mais, sofra. Muito!
Se pudermos evitar... se pudermos estrangular esse afecto antes de causar danos catastróficos, seria o ideal, mas é difícil. Muitas vezes temos de lidar com o insucesso e a dor (dos outros), ou a nossa.
Mas, adiante. Gostei! Embora não achando o filme nada de transcendente e nem o "garoto" tão inocente, ou "prejudicado" no fim... como fui ouvindo afirmar a muitos. Para mim o mais velho age muito naturalmente. As coisas acontecem e... só não entra nelas quem não está interessado. Logo, para mim o professor, está ilibado. Mas, não há vítima nenhuma! Os dois viveram um amor, intenso. Que dá a impressão, ficará para sempre marcado em ambos, mas a vida segue. O que é uma pena!
Ficou-me a diferença de atitude entre os pais do miudo e os pais do homem. Uns, que pura e simplesmente agem como se deve agir. Os outros, segundo o próprio diz, no filme, se soubessem metiam-no num reformatório. Como se "essas casas" resolvessem alguma coisa e não tenham um efeito ainda mais devastador, que benéfico.
Filmes à parte: É lamentável que não se possa amar e viver em pleno esse amor! Seja pela diferença de idades, a distância entre continentes, religião, cor, sexo... sei, lá! Amar devia ser simples. Mas é das coisas mais complicadas e traiçoeiras que existe.
Estes dois deviam ter podido cumprir-se. Mas, como tantos, tiveram de amputar o que sentiam "a bem" de valores ridículos e aparências que ainda fazem com que as pessoas resultem infelizes para o resto da vida.
O filme acontece em três línguas. Achei, curioso. As paisagens mostram a vida extraordinária das Villas Italianas. Cultura, respira-se (ainda que ao de leve) ao longo da história. Fica a dúvida? Como seria o futuro de Elio. Passaria (ficaria) por Marzia?
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