Por Terras de Basto...

 


 


Berço do meu tão amado progenitor e em sua honra... 


 


Esta fotografia não é minha, retirei-a da net


(Triste e desiludida, não me apeteceu fotografar a casa)


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Lembro-me desta casa e destes Jardins quando eram muito mais belos e requintados do que aqui estão retratados (agora ainda mais miseráveis). Do campo de ténis, da Gaiola das aves exóticas e dos pavões que deambulavam livres, nos "oferecerem" penas, que deixavam largadas nos caminhos...lindas, sedosas e de cores únicas.


Lembro-me do Toy (o pastor alemão) bravio, mas meigo. E de cada palmo de chão e recanto, antes de ser, completamente desrespeitado e desvirtuado. Lembro-me do meu avó se sentar ali, naquele "arco" à sombra,  com o braço apoiado numa mesa de cortiça e madeira, numa cadeira também arcaica, a olhar (com os seus maravilhosos olhos azuis que se tornavam verdes, para o fundo desta estupenda avenida, que era ladeada de maravilhosas plantas e buxos decorativos..


Da outra (cadeira) ser ocupada por um de nós quando chegávamos. Dos restantes se sentarem nos bancos de jardim verdes, perto, e de ali, ouvirmos cantar a água num dos tanques característicos do Minho... enquanto se conversava. Lembro-me dos olhos do meu pai, iguais aos do meu avô, brilharem de júbilo por "regressar a casa".


 


Jardim


Todas as fotografias que se seguem são minhas 


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Há memórias que nos fazem bem e outras, que além do bem que nos fazem... magoam!


 


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Por aqui corri, brinquei, caí e esfolei joelhos; quando muito disto eram campos de milho, extensões de vinha e de pomares. Lembro-me da casca aveludada dos marmelos e das "malgas" de marmelada perfiladas na janela, depois de feitas pela minha avó... que lhes punha uma rodela de papel vegetal por cima, salpicada de aguardente da boa (caseira), que era "lícito" fabricar - na altura, - e da marmelada se manter sem se estragar... 


 


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Biblioteca que o nosso Presidente inaugurou e que tem o seu nome, fica ali próxima.


 


Nela, estão dois livros meus que o professor Marcelo na altura, fez o favor de enviar para lá (quando lhe escrevi a explicar o que me ligava à Terra) Aqui o cartão que gentilmente me enviou a dizer que os mandara e a agradecer-me. Eu é que lhe estou muito grata!


 


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Recordo-me de:  Traquinas como sempre fui, enfiar-me no ribeiro (tão gelado, que cortava a carne) para apanhar agriões, em conjunto com a criançada (filhos de caseiros  e meus amigos do peito...) enquanto contávamos as badaladas do sino que chamava para a missa.


Ia com eles desviar a água nas levadas, para chegar aos campos. Saltitávamos como cabritos, caminhos fora, à "cata de amoras" e aparecíamos quase irreconhecíveis de sujidade... quando já se estendia no ar, o incomparável odor do borrego assado, com arroz de forno.


 


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Lembro-me de ter sido por aqui, que se formou muita da minha personalidade, ao lidar com gente boa, genuína e de carácter forte. Das minhas muitas incursões pela quinta e por cada recanto dela que conhecia, como às linhas das minhas mãos e ainda hoje posso descrever... embora não existam mais!


E sei que não devo sentir revolta. Que as coisas mudam, como as pessoas crescem e também se transformam, mas fazer "este mal" a um sítio tão especial, que podia ter sido melhorado de outra forma... é-me difícil de engolir.


Afinal... esta também é a minha terra. As minhas raízes. O meu imaginário infantil e de adolescente, que foi passado entre Minho e mar (Pinhal de Leiria, S. Pedro de Muel, Marinha Grande...) 


 


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Recordo-me ainda, entre muitas e peculiares coisas, de ter uma foice na mão. De cortar molhos de erva, que mal me  cabiam na mão pequena, mas querer experimentar e sair-me muito bem. Entrar capoeiras dentro e maravilhar-me com os ovos que recolhia, para levar à minha avó. Como era simples, mas excepcional, a vida!


Constrange-me a nostalgia da vila! O descaracterizado de tudo em contraste com a não mudança de algumas coisas, o que faz do conjunto, uma coisa qualquer... sem jeito! 


Porque me surge na retina, por momentos, a azáfama do mercado aos fins de semana... como me faltam as camélias, dálias, crisântemos, rosas (tão amadas pelo meu pai)... e o bucho desenhado reproduzindo cobras, pássaros (que o meu avô também, esculpia) formando românticos nichos, onde existiam bancos, em que nos sentávamos à sombra no Verão. Muitas vezes em silêncio, bebendo todas as formas e odores da natureza.


 


UMA DAS CASAS DA VILA


 


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Sinto uma melancolia enorme da grandiosa piscina toda ladeada de granito e escondida pelos mesmos buxos altos, que nos protegiam dos olhares de fora. De um dia, cair lá dentro, por não parar sossegada e não fora a mão providencial do meu pai... hoje não vo-la descrevia.


Faltam-me as uvas a caírem de latadas/ramadas derreadas de cachos quer brancos, quer tintos. O cheiro do milho e as suas barbas loiras e acastanhadas. Das pencas para o delicioso caldo verde, feito com farinha de milho.  Falta o cheiro das noites minhotas. Tenho saudades de olhar aquele incomparável céu estrelado.


 


MONTE FARINHA


SENHORA DA GRAÇA


(onde os ciclistas sobem na Volta a Portugal)


 


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Tenho saudades das romarias... dos dias que se passavam a fazer o farnel para depois irmos a pé à Senhora da Graça (aquela montanha ali ao fundo) ou à Senhora do Viso. De quando a minha avó me contava que eram sete (nossa Senhoras) irmãs, que se viam todas dos montes onde "moravam" umas às outras. Recordo-me de ela me dizer repetidas vezes, os nomes de todas, mas só me "ficarem" de duas. Estas!


Do culto do meu avô, por S. Gonçalo de Amarante... onde ia religiosamente, todos os anos!


Está-me ainda presente (muito menina, no meio disto tudo) o soar dos acordeões! A voz muito fina das raparigas nortenhas, a cantar modas da terra e a dançarem caminho fora. Os garrafões serem "vestidos" de palha e terem duas "asas". E do vinho, neles, ser de uvas pisadas na minha frente.  Lembro-me das colmeias do meu avô! De ser picada pelas abelhas, mais de uma vez...Das histórias da Serra e do uivo dos lobos. 


 


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 Parte de cima da vila 


 


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Do frio e do Marão sob a neve. De todas as vezes que nos levantámos de madrugada, muito cedo, para apanharmos aqui a automotora (Livração) que fazia ligação com o comboio em Campanhã (Porto). Até a linha foi engolida por um estradão de pedra... Vá, lá! Deixaram-lhe a tabuleta. "Pare, escute, olhe..." porque provavelmente a estupidez humana e a vontade de alienar património único não termina aqui."


Não! Não está lá escrito mas devia figurar! Eu de bom grado o acrescentaria. Como é que se pode estragar tudo. Destruir o que era tão bonito?


Havia mais à frente uma ponte antiga (linda), por onde passava a automotora rumo à Régua. Sei que seguia... por uma paisagem deslumbrante, entre ravinas por onde espreitava o serpenteado Tâmega. Hoje... há muito asfalto e betão.  Nem o pão de quatro cantos é saboroso, nem rústico. E não me lembro de ver uma regueifa para comprar pelo caminho. Só pão de Espelta e outras inovações... Viva o progresso!


 


 

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