Os sítios de onde Eu venho...

 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 Todas as fotografias, são minhas. 


 


 


 


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Uma sentida e devida homenagem ao maravilhoso homem a que chamo pai e a uma mulher que, a tantos quilómetros da terra que o viu nascer, lhe roubou o coração.  A uma história de amor que lembra os romances de épocas passadas.


 


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Um regresso às "poças" e fontes nortenhas. Aos lugares onde a água brota, encostas abaixo, terrivelmente pura. Como incrivelmente gelada, sempre a cantar.


 


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Aqui, numa "boca" que corre das duas originais e toda a vegetação que a envolvia já bastante desbastada, corre também veloz (para trás) a minha memória. Os dias cinzentos e gélidos envoltos em neblina. As vozes familiares e os risos, enquanto lavavam, ou recolhiam num cântaro de barro para beber.


 


 


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O som das sacholas a abrir os regos, para direccionar para a rega dos campos de milho,  sem parecer acusar o gelo nos pés, ou nas mãos, diligentes


 


 


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 A casa... onde já não se entra, mas cada pedra nos sorri, conhecendo-nos. E... dorme-se, mais adiante, ao som da água. Acorda-se, para correr logo para a porta e cheirar o ar! Incomparável. Cumprimentar o dia e sorver esta mão-cheia de verde.  Está tudo mudado, observo. Enquanto bebo o meu café, sentada perante a enorme beleza espalhada na frente. 


 


 


 


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Descaracterizou-se bastante a traça original das casas. Restam sombras do que foi um dia, um majestoso Solar nortenho, com um jardim riquíssimo e um pomar adjacente, fantástico.


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Mas, os nossos passos ainda estão lá misturados na gravilha e impressos no solo, mesmo não se vendo. O nosso sangue escorre ali, a par, com o rio. 


Não existe piscina, nem campo de ténis. A gaiola dos pássaros exóticos , também ganhou asas e foi com eles! Dos campos de milho, das medas de palha e das pencas... nem sinal.


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Mas os odores são os mesmos. Os regatos a transbordar, continuam a ser pista de aterragem para os alfaiates e lar para os agriões crescerem tenros. As pedras, estão lá! Quais guardiões impávidos ao olhar de "forasteiros".


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Mas eu sou, daqui! Destas montanhas, deste céu. Destas escarpas e cascatas. Das regueifas e do pão de quatro cantos, tão difícil de encontrar, como era gostoso de comer. Os olhos e a alma... continuam a regozijar-se com as faldas do Marão imponentes! Recordei-as nevadas, por entre as cortinas de renda e os quadrados de vidro e madeira arcaica, das janelas da casa (grande) de granito.


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Rio Cabril


 


Já não se ouvem as vacas, quando as mugiam. Nem os carros dos bois, com as rodas a "encalhar" nas pedras do carreiro ladeado de Amoras, com os seus picos... onde tanta vez me emaranhei. Já não há grunhires dos porcos ao fundo das escaleiras da Cozinha. Nem "criação", na capoeira.


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Ainda há gatos, que dormem tranquilos, num nicho de granito, onde as ervas também fizeram casa. Os sons do sino da igreja, a chamar os fiéis e o cheiro do arroz de forno. Não ouvia também, há muito, o melodioso entoar nortenho, das palavras. Nem experimentava a  hospitalidade de quem dá o pouco que tem, às vezes, genuinamente! Sempre de sorriso aberto, num rosto tisnado pelo rigor dos elementos e a dureza da labuta dos dias. Já não ouvia há tanto, tanto tempo, um lobo uivar.


 


 


 


Acordei numa das noites com um som "familiar" ao longe. Apurei os ouvidos. Fiquei, alerta... Talvez, fosse imaginação. Desejar muito que por lá, andassem.


 


 


 


Ou... talvez sentissem, realmente, que regressei. 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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