Palácio Stephens - Museu do Vidro
Post originalmente publicado em 14.06.2017

Utensílios usados no fabrico e molde.


Fotografias minhas.


É obrigatório ir conhecer a antiga Fábrica da Stephens situada na Marinha Grande, onde antigamente se fabricavam peças belíssimas de vidro (e em cristal).
Para perceber como era duro e exigente o trabalho de um vidreiro, quando ao adquirirmos bonitas e únicas peças, nem nos passa pela cabeça, hoje em dia, que é tudo - praticamente mecanizado - o que era necessário para chegar à excelência do produto final, certificado.




Tenho a sorte e a gratidão de ser familiar de pessoas que lá trabalharam e ainda comercializam. De gente que também "abastecia" a fábrica de casco de vidro. Habituei-me a ver e a passar, por entre montanhas de vidro estilhaçado e partido (onde, por vezes estavam misturadas, peças lindas, com pequenos defeitos, rejeitadas, que acabavam por se aproveitar). Igualmente a felicidade de conhecer a história, ter visitado quando funcionava, em pequena, e de possuir meio serviço de cristal, lapidado, com desenhos finíssimos e delicadamente impressos no vidro, com bordo em ouro, que a minha mãe, me comprou, estava a fábrica para fechar... e a que não dei importância, na altura, mas hoje, valorizo como a um tesouro!

Recordo-me, como se fosse hoje, de entrar na casa dos meus primos e (ao lado, estarem os armazéns onde se erguiam pilhas e pilhas de pequenos cacos (pedaços estilhaçados) coloridos e de tamanhos diversos e ser "à pazada" que lidavam com ele. De luvas grossas calçadas e de galochas... a carregarem os camiões, para o trazerem para Lisboa.
Não foi uma, nem duas vezes, que entre o "casco de vidro" se encontravam peças rejeitadas por um minúsculo defeito, que nos maravilhavam. Algumas delas ainda as conservo. Copos e fruteiras lindíssimos que hoje são caríssimos e raros. Eram rejeitados por um lascar microscópico, apenas...

Os desenhos gravados, sulcos no próprio vidro, tão rigorosamente talhados... lindo!

Passei, como no norte, uma grande parte da minha meninice e adolescência na Marinha Grande - por consequência, nas praias de S. Pedro de Moel, Praia Grande, Pedras Negras - na casa desses primos que visitávamos todos os anos e nos retribuíam a visita.
Conheço o Pinhal de Leiria muito, muito bem! As localidades que por aqui e ali existem, de modo que regressar lá... é sempre emotivo! Bom. Deixa aquela sensação de grandeza e gratidão, pela oportunidade havida em ver coisas que hoje não se conhecem, porque vão deixando de existir.

Mais tarde, acompanhei uma visita de estudo de alguém próximo... já fechada a fábrica, mas criado o Museu. Aconselho, vivamente, a ser um dos destinos de quem goste destas coisas e do que é nosso.
Ao irem, será uma homenagem aos muitos que lá trabalharam! E a alguns já não existem (como o filho mais velho desses meus primos, um jovem ainda, falecido em Abril, quando transportava um camião cheio de casco) e aos que ainda, sendo pessoas mais, ou menos novas, se recordam muito bem de como tudo isto, era.
Pedaço de vidro em bruto


O soprar (moldar) e cortar o vidro. Processo tão delicado como belo de ver...

(Ver horário. Pode não estar, actualizado)


Cá fora, está-se muito bem, também há imenso para ver e esplanadas no próprio jardim. Após visitar o Museu, atrevam-se pelas redondezas, pelas praias, pelo pinhal. Vale a pena gastar um dia ou um fim de semana, aqui.
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