Soito, Cadafaz e Colmeal

 


De visita aos arredores, das terras, dos meus avós maternos.


 


pontevelha4.jpg


 


 


 


O nevoeiro denso e frio entre os pinheiros da floresta. Assente, já pelos caminhos, ao entardecer.


 


 


 


brumas.jpg


 


 


 


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável.


 








Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.
Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno—
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar—
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.






Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.




 




Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência.
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo.






Alberto Caeiro




 


 


 


WP_20180202_17_31_43_Pro.jpg


 


 


 


brumas3.jpg


 


 


 


brumas4.jpg


 


 


 


brumas8.jpg


 


 


 


 CADAFAZ E COLMEAL


 


 


 


pntevelha5.jpg


 


 


 


pontevela7.jpg


 


 


 


WP_20180204_09_28_03_Pro.jpg


 


 


 


Ponte Velha 


 


 


 


brumas6.jpg


 


 


 


Cabreira - Praia Fluvial


 


brumas7.jpg


 


 


 


IMG_20180204_092915.jpg


 


 


 


WP_20180204_09_30_29_Pro.jpg


 


 


 


IMG_20180204_085600.jpg


 


 


 


WP_20180204_08_57_35_Pro.jpg


 


 


 


Frio? Na cidade não faz frio.  Frio... está, ali! Ainda assim, quem gosta de frio, mais frio suporta. Por entre montanhas e neblinas. Riachos, pedras e galhos. Gelo, na estrada. Geada na vegetação, roupa molhada, pés ensopados... nada nos faz recuar! Nem o conforto da lareira quentinha que nos aguarda em casa. Frio? O que é o frio?!


 


 


 


WP_20180203_12_11_42_Pro.jpg


 


Quem me dera, aqui morar...


 


 


 


WP_20180202_16_02_24_Pro.jpg


 


 


 


WP_20180203_12_11_48_Pro.jpg


 


 


 


Fumo


 


 


 


Longe de ti são ermos os caminhos, 
Longe de ti não há luar nem rosas; 
Longe de ti há noites silenciosas, 
Há dias sem calor, beirais sem ninhos! 

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos 
Perdidos pelas noites invernosas... 
Abertos, sonham mãos cariciosas, 
Tuas mãos doces plenas de carinhos! 

Os dias são Outonos: choram... choram... 
Há crisântemos roxos que descoram... 
Há murmúrios dolentes de segredos... 

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! 
E ele é, ó meu amor pelos espaços, 
Fumo leve que foge entre os meus dedos... 

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" 

 


 


 


WP_20180203_17_55_54_Pro.jpg


 


 


 


Não se sente o nariz e nas pontas dos dedos, um milhão de agulhas obriga-nos a friccioná-las, para que o sangue escorra. O ar que nos sai dos pulmões, une-se à névoa.
Nem quando chove... uma chuva que é gelo, há vontade de regressar ao lume. A única vontade que prevalece é de ficar. Pertencer, aqui!


 











Fevereiro de 2018





 





 





 




Comentários

Mensagens populares