Canção de Outono

Ontem do lado de lá. Hoje, de cá... ao fundo o Cabo Espichel coroado de nuvens. A praia quase deserta e uma temperatura óptima.

O barco puxado pelo tractor, acabado de chegar da pesca. Como se o tempo tivesse parado e tudo se fizesse como antigamente. Por aqui, ainda faz!

Elas molham os pés, ou procuram alimento sob a areia.

Eu não danço e dou saltos de contente por todo o lado, porque o Outono já chegou, mas vontade? Não me falta!
CANÇÃO DE OUTONO
No entardecer da terra,
O sopro do longo outono
Amareleceu o chão.
Um vago vento erra,
Como um sonho mau num sono,
Na lívida solidão.
Soergue as folhas, e pousa
As folhas volve e revolve
Esvai-se ainda outra vez.
Mas a folha não repousa
E o vento lívido volve
E expira na lividez.
Eu já não sou quem era;
O que eu sonhei, morri-o;
E mesmo o que hoje sou
Amanhã direi: quem dera
Volver a sê-lo! mais frio.
O vento vago voltou.
Fernando Pessoa
Comentários
Enviar um comentário