Músicas - Chave, em tempo de Pandemia

 



 


Começo esta rubrica com a música "Dá-me um Abraço" de Miguel Gameiro. Uma música lindíssima e com uma mensagem igualmente forte. Numa altura em que os abraços e outras manifestações de afecto não são aconselhadas, esta frase: "Estando longe, estive tão perto do teu abraço"  tem de significar-nos a proximidade de que todos, já sentimos falta.


Porque às vezes não é por se estar lado a lado, frente a frente, que os abraços acontecem. Ou a vontade de os dar, existe. Há alturas, em que as pessoas estão mais distantes que nunca, mesmo ali, "à mão". Em contrapartida, há os que estão longe, mas a distância não os separa. Reparemos no começo da música:


 


"Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte a cada canto
Não digas nada, que nada é tanto
E eu não me importo"


 


Está tanta coisa, senão tudo dito, nestas palavras. Passemos adiante...


 


Dá-me um abraço, que me desperte
E me aperte, sem me apertar
Que eu já estou perto, abre os teus braços
Quando eu chegar


 


Continuemos a "caminhar" pela música até aqui...


 


É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega


 


Quando possas dá-me um abraço, só um não chega! Talvez seja isto que andamos a fazer, muitos de nós. A abraçar-nos (apertar-nos) sem nos abraçar (sem nos estreitar nos braços). Andamos todos, praticamente em silêncio e sem dizer nada... dizemos tanto!


Importando-nos por estarmos longe, estamos perto. E, mesmo não havendo o gesto, o toque, ele continua a confortar-nos em cada canto. A despertar-nos o desejo para o dia em que termine esta ameaça que nos distancia (e já está mais perto do que quando tudo começou), para que devemos pensar que em breve (que assim seja) já está perto e a chegar, aquela ou aquele, a quem abraçaremos com ênfase, até saciar a saudade que nos ficou.


Sempre gostei muita desta música do Miguel. Antes deste vírus e agora... ainda mais! Porque há letras de músicas que exprimem tão bem esta "não necessidade de estar ao pé", para se estar mesmo ali. Não importa a distância.  


Esta esperança que se deve manter viva e os braços em "estado de alerta" para (um dia) quando o pior passar, quem tanto queremos abraçar, chegar.


 


 

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