Entre o Mar e a Montanha

 


fotografias minhas


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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.


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Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.


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Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.


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Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


 


Poema de Natal


(Vinicius de Moraes)


 


 

Comentários

  1. Bom dia Minha Amiga Maria
    De repente, surgiu o poema, ilustrado pelas imagens, mas eu podia acrescentar pela música, sim, pois, que o Vinícius de Morais não fazia a coisa por menos: palavras, versos, poemas, que brotavam nele, tinham sempre aquela musicalidade, aquele casamento íntimo, como o pão e a manteiga!
    Mas a escolha dos catos, esses seres tão resistentes que conseguem passar largo tempo sem água, como os dromedários no deserto, nestas imagens está a esperança, sua e minha também, que a minha amiga, mesmo sem a água que vai padecendo neste período difícil da sua vida, vai resistir, vai resistir, para poder dizer sobre as agruras da sua vida, como disse La Passionária sobre los fascistas, "non passarán"!
    E vai voltar a sorrir, com o mesmo brilho das águas cintilantes do mar, pelo menos quando estiver tudo mais calmo e vir regressar as pessoas ao seu leito de areia, ao seu caminho feito de areia, que é a único caminho possível para avistar os braços gigantescos do mar que nos envolvem com aquela força como se fossem as mães que carregam os filhos ao colo!
    Continuação de um Bom Dia!

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  2. Boa tarde, Etan.
    Obrigada pela visita e pelas palavras, amigo. Essa "areia" tem de assentar. Esta, é uma tempestade que há-de tornar-se menos rigorosa, com o tempo. Não trará a aceitação, porque não é possível, mas uma resignação  menos amarga talvez. Por ora, é só areia e muito pouco horizonte que descortino neste deserto que atravesso assolada por ventos e areia fustigante. Uns dias são menos maus, outros muito difíceis. Enfim... um grande abraço e bem-haja, mais uma vez! 

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