Barragem de Montargil
Post publicado a 6 de Abril de 2015
Parece quase demente recorrer ao passado, para "aguentar" viver no/neste presente. O certo é que fechados em casa, pouco nos resta que deitar mão às memórias de tempos gratos passados e esperar que um dia possamos regressar, inclusive aos sítios, onde em tempos, se pensou não desejar voltar.
O ano passado todos pensávamos que neste... é que ia ser! Teríamos posto o vírus "no seu lugar" e todos já teríamos as nossas vidas devolvidas. Como gostávamos de as viver!
Não foi este ano, creio que o próximo pouco trará de mudança, mas... esperemos que sim! Que possamos alcançar, de novo e ter de volta, as nossas vidas e hábitos.

Este é um local lindíssimo se interiorizarmos que estamos no Alentejo, mas vê-se água a perder de vista, complexos turísticos luxuosos.


Aves diversas (garças, cegonhas) a voar tão perto. Árvores, o silêncio (não total porque as cigarras cantam, os pássaros chilreiam e todas as pequenas criaturas que por aqui circulam, contribuem para a beleza circundante.

Mais adiante algo extraordinário... as árvores parecem brotar de dentro de água. E continuar com a vitalidade das outras "terrestres". Seria de esperar que estivessem débeis ou apodrecidas. Tombadas e... talvez mortas.

Num sítio "povoado" de gente em lazer, mas que de tão grande, não se viam aglomerados de pessoas, nem ruídos incomodativos. Só paz e mais beleza, em toda a extensão e alcance da vista...

Um local fantástico para recarregar "baterias". Descansar a cabeça, "engolindo" graciosidade e calma por todo o lado. Tão bom...



E a seguir à paz, ao relaxamento... Árvores e água. Ovelhinhas e gado, a pastar tranquilamente...![]()

Um dos maiores sustos da minha vida...

Esta barragem foi construída em 1958, por isso, talvez difira de todas que já vi. Aqui vê-se o lago e a parede que faz de muro, para o outro lado que é só campo! Não há saídas de água em jorro de alturas imensas a cair como cascata. Só uma estreita correnteza de água, que corre entre uma tira de cimento e alimenta os campos.

Estavam algumas famílias a visitar, porque é lindo. Namorados a namorar, porque sim... Ouve-se o barulho da água a correr... vê-se um, ou outro barco, em veraneio. Tiram as fotografias da "praxe..."
Como a curiosidade "matou o gato", vamos, ou seja, vou espreitar enquanto os outros estão entretidos... à espera de ver uma coisa "normalíssima" e... sai-me isto! Eu sou claustrofóbica!

E estou a olhar para um quadrado enorme, com um "garganta" profundíssima! Onde não se alcança mais nada que negridão, de onde vem o troar da água e... algo que nos suga, como a querer levar-nos. O cabelo a emaranhar-se na frente dos olhos, a agonia e a vertigem têm início... AQUI

Está-se (estava-se, na altura) separado da queda, por um quadrado de rede ao redor do acesso, já esburacada pela "incursão" dos curiosos a querer obter melhores imagens. Também já corroída pela ferrugem, acção da água e do tempo. Para quem (como eu) sofre de claustrofobia ou problemas de equilíbrio foi um "bocadinho..." muito problemático!!!

Portanto, a barragem, em si, é um "buraco negro" sem mais visibilidade que isto. Perceber como a água enche o lago, sem se ver sair, como se está habituado a assistir, é um enigma. No entanto, é um sítio... interessante. Engraçado para quem perceba de hidráulica (penso que deve ser isto) não deixa de marcar como experiência.


Eu, disse naquela altura... não querer voltar mais a este sítio! Durante dias senti-me incomodada. Mas regressava.
Quando nada resta, senão recordar,
ResponderEliminarQue sejam imagens tão belas,
Tão belas como as que partilha,
E são rastilhos para outros recordares,
Que nos leva até "lá",
Mesmo que o "lá" seja outro lugar.
Agora estou lá,
Com amigos e irmãos,
Todos firmes na areia,
Gritando para as árvores da outra margem,
"Ó Correia olha o barco!"
E o velho Correia,
Surgido do nada
Já no meio do rio,
Rema que rema, rema que rema,
Rio acima, rio abaixo.
A juventude irrequieta mergulha
De um lado, nadam por baixo,
E sobem outro.
Embalado naquele berço,
Nascido de nova mãe,
Minha mãe Tâmega
Carinhosa me embala no seu doce colo,
Para me deitar nos seus lençóis verdes,
Onde agora me estendo.
Ouvindo o seu canto polifónico
Descendo de pedra em pedra do açude
Adormeço.
Obrigado Maria, pelas suas belas imagens,
Zé Onofre
Eu é que agradeço a visita.
ResponderEliminarUm bom fim-de-semana!