Um Hino à Primavera
Entre Joaninhas... que do nada esvoaçam e pousam em flores, seguras por mãos que as "prendem" na imagem, mas nunca as privariam da sua liberdade. Vai e voa... joaninha!

E abelhas, a vivacidade do campo e o labor das obreiras.

Zumbiam alegremente, numa azáfama que nunca as cansa...

Em nome de um reino, onde não se sentem oprimidas. Uma rainha que mais que soberana é mestra.


Por todo o lado, já se vê uma explosão de cores. Amarelos, brancos, verdes. Pequenos salpicos lilás...

Tanta vida minúscula entre a folhagem, mas com a sua função no mundo, bem definida. A cada um, o seu lugar, a sua incumbência.

Quando algo nos fala do mar...

Logo, ali...

Quando parece um grande lago.

A areia, um tapete de conchas.

O seu murmurar, uma canção...

Tenta-se curar a alma, convalescente. Alegrar os olhos... também cheios de vontade de voar, por aí. Dar ânimo a um corpo cansado de estar prisioneiro entre quatro paredes, ainda que o rio e a Serra, lhe deem diariamente os bons dias.

"Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder, para me encontrar".
Florbela Espanca
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