Nossa Senhora da Saúde - Primeiro domingo de Maio

 


Capela de Nossa Senhora da Saude, Lisbon - Tripadvisor


 


Fica ali "paredes meias", com o meu local de nascimento (Maternidade de Santa Bárbara), nesta freguesia, antes do Socorro, hoje, de Santa Maria Maior. O que viria a ser também, curiosamente, o meu local de trabalho, hospital de S. José.


Capela de Nossa Senhora da Saúde (Fotos) - Distrito de Lisboa | Guia da  Cidade | Região de Lisboa


Tantas vezes sai ali cedinho, do eléctrico, ou do autocarro e... entrei. Sempre gostei do silêncio das igrejas vazias. Era assim, entreolhando-nos, eu sentada e a Senhora no altar, que ficávamos. 


 


NOSSA SENHORA DA SAÚDE


 


"Situada no concelho da Mouraria, na Rua Martim Moniz, local que se situava fora das muralhas da cidade de Lisboa. Foi construída em 1505 por iniciativa dos artilheiros da guarnição de Lisboa e dedicada a São Sebastião, o seu patrono e protector de males como a guerra, a fome e principalmente a peste, que assolou a cidade e causou centenas de vítimas.
Em 1569, foi dedicado a Nossa Senhora da Saúde e em 1662 acolheu a sua imagem. Após ter sido danificado pelo terramoto de 1755 foi sujeita a obras. 
No interior, a nave única, tem pintura ornamental em estuque e é revestida por painéis de azulejos atribuídos à oficina de António de Oliveira Bernardes, danificados no século XIX na sequência da abertura de dois altares laterais.
A capela-mor, com abóbada nos rebordos é decorada com talha dourada, verde e branca e exibe a imagem da padroeira em retábulo oval e abobadado. A Capela da nossa Senhora da Saúde beneficiou não só os reis, rainhas e príncipes, mas também nobres, militares e benfeitores.
Em 1861, D. Pedro V elevou-a à categoria de Capela Real". 


 


Procissão da Nossa Senhora da Saúde leva povo de Lisboa ao Martin Moniz -  TV Europa


 


Todos os anos, no primeiro domingo de Maio, acontece a procissão de acção de graças pela proteção da Virgem. Uma tradição que se repete desde o século XVI. 
Chamavam-lhe a procissão das "fardas", porque nela seguiam representados, todos os ramos das forças armadas portuguesas. Muitas crianças cumprindo promessas dos pais, vestidas de anjinhos e santos. 
As janelas enfeitavam-se com as melhores colchas e toalhas. Caíam pétalas de flores quando a Senhora passava. E eu, pequenina, com a minha avó e mãe, costumávamos vê-la passar (e ao meu pai), que integrava as fileiras de militares. Nós, entre tanta gente, que chegava a levar bancos para se sentar, porque a "volta" da Senhora, era grande...


As obras na Praça Martim Moniz devem começar daqui a um mês


 


Era aqui, também... antes de isto, ser, o que é hoje, o meu ponto de passeio obrigatório ao sair do emprego... por entre as muitas barracas de uma feira, que ali se fazia e onde comprava os meus discos e cassetes. Algum artigo exótico (roupa ou objecto) que iam aparecendo, ainda muito raramente, vendido por marroquinos e outros, ainda escassos, no nosso país. 


mélange: castelo de S. Jorge



Era uma feira patusca. Aos pés do Castelo de S. Jorge, nesta Lisboa que levou tanto a conquistar "aos mouros", envolvendo, segundo se conta, a honra e a dedicação de Martim Moniz para hoje... serem mais os de fora que, os de dentro, que ali moram.


 


CASTELO DE S.JORGE


 


O Castelo de São Jorge, sentinela de Lisboa – Chaves and around… Viagens à  Chaves e Portugal


Poucos repararam ou saberão, que aquela "escadaria" da muralha que se alonga e interrompe ali... descia e ligava à outra parte, que, atravessando o largo, se vê hoje "enclausurada" entre prédios e apartamentos. Ruas apinhadas de gente de todas as raças e credos, carregando e descarregando "bens", fazendo do Martim Moniz um bazar "grotesco". 


 


LENDA DE MARTIM MONIZ
(explicada pelo professor José Hermano Saraiva)


  


Martim Moniz, uma lenda que "ajudou" a conquistar Lisboa


 


Equaciona-se, há bastante tempo, construir uma mesquita. Nem que para isso se tenha de desalojar pessoas das suas casas e das lojas, com história, da zona, apesar da polémica completamente compreensível, para se levar o projecto em frente. 
Se D. Afonso Henriques e o fiel Martim Moniz tendo, ou não, morrido ali, voltassem à vida...
É triste o nosso desrespeito pela história. Pelas tradições. O pouco amor ao património (que em nome de uma leviandade qualquer, na moda, se quer alienar) porque fomos colonialistas... como parte dos povos do mundo! Que não vejo ter esses acessos de estupidez massiva.
Alardeia essa gente que nunca fez nada pelo país, nunca serviu na "frente", não conhece as dinastias, nem os Reis que as compuseram. Que ignoram totalmente algo capaz e relevante, relacionado com a crise de sucessão e, nem aos presidentes posteriores consegue enumerar, que nos devemos envergonhar de quem fomos! E, supostamente ter orgulho no povo medíocre em que  nos tornámos. Subservientes a tudo e sempre de mão estendida aos de fora...
Não nos teremos transformado também num povo colonizado? Quando já pouco de Portugal é nosso e nem língua, nem moeda se safou e pouco, ou nenhum, voto na matéria nos, é permitido. Enfim...


 






Exclusivo Mouraria. Comunidade do Bangladesh desmente conflito religioso. PSP mantém versão inicial


Os imãs não são eleitos, são escolhidos. E só em 2021 há eleições para a liderança da Comunidade Islâmica do Bangladesh. Argumenta a comunidade para contestar que a rixa de sábado na Mouraria se deva à religião. PSP mantém que o conflito é religioso. Céu Neves 21 Janeiro 2020 — 00:09


"O que houve não tem nada que ver com a religião. Somos gente de paz", diz o imã Muhammad Ala Uddin, que desde este mês dirige as orações na mesquita da Rua do Terreirinho.


As ruas da Mouraria no Martim Moniz, junto às duas mesquitas - uma na Rua do Terreirinho e outra no Beco de São Marçal, por cima da Rua do Benformoso -, são um vaivém de muçulmanos nas horas das orações, oriundos sobretudo do Bangladesh e do Paquistão, mas também de outras nacionalidades. Nesta segunda-feira afirmavam-se tristes com a imprensa que disse que a rixa que envolveu 40 pessoas na noite de sábado se deveu a disputas religiosas, citando fontes policiais. "São questões pessoais, nada têm que ver com a religião", protestam.

A mesma contestação é feita por Rana Talism Uddin, presidente da Comunidade Islâmica do Bangladesh, reeleito em 2017 para um mandato de quatro anos."Não existem problemas religiosos, existem duas mesquitas porque a principal [Beco de São Marçal] se tornou pequena, quando a nova mesquita estiver construída, quando tivermos uma mesquita grande, a comunidade poderá orar junta. Não há disputa de liderança religiosa, os imãs das duas mesquitas são escolhidos e um está aqui há dez anos. E o líder da comunidade, eu próprio, foi reeleito em 2017 e só haverá novas eleições em 2021", argumenta, contrariando a versão apresentada pela PSP.


(Diário de Notícias)

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