As Cigarras de Monsanto

 


 


 


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fotografia minha
Duas cigarras num tronco no...


Parque Florestal de Monsanto


 


Morar aos pés de Monsanto foi sempre ouvir as cigarras numa algazarra engraçada, logo muito cedo, até noite alta. Ouvi-las até bem tarde, no ano, quando o tempo ainda ameno, já se nublava. E... a história da Cigarra e da Formiga contada amiúde, como exemplo. Para não esquecer!
Das nossas janelas, sempre vimos o Tejo e a azáfama dos carros num ir e vir frenético, em longas filas em dias de Verão (e praia) ou, nas "horas de ponta".


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O Monsanto (parque Florestal) foi sempre o alvo dos nossos piqueniques. Das nossas passeatas e caminhadas. Das idas à Pimenteira (fonte) buscar água fresquinha e atestada como boa para a saúde. A fonte não passava de uma "bica" num recanto no meio da mata, hoje à beira da estrada de acesso à ponte, sem sombra dela, em que se desciam dois degraus em pedra e, entre o cheiro mágico de eucaliptos e demais vegetação; o chilrear de pássaros e um ou demais bichos que se atreviam a espreitar-nos, enchiam os garrafões, que se traziam depois à mão, mata fora, para casa.
E se era concorrida e afamada a Pimenteira! Havia dias em que se fazia fila para encher os ditos. 
Para o meu irmão, o meu marido e "putos da zona", o Monsanto era o "campo de ténis". As miúdas. Andar "à gandaia", as casas na árvore. O abrir das asas inocente e são.
Para mim era a aventura de subir até lá acima e correr para os baloiços. Ter quem me empurrasse sempre veloz e mais alto! Fazer das "minhas" no eléctrico. Saltitar para o avião, uma réplica (diziam na altura, ser o mesmo de Gago Coutinho e Sacadura Cabral) eu? Queria lá saber se o avião fora de tão ilustre e corajosa gente! Interessava-me apenas a diversão. A piscina... que bom era nadar na piscina! 
Tão consolador como para o meu irmão e demais moços, jogar à bola até às tantas, no largo, ao pé do Atlético. Ir até à tapada (da Ajuda) em "excursão". Enquanto as meninas brincavam à Linda Falua. Jogavam ao Lenço. Ao ringue. 


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fotografia minha (tirada do Cristo Rei)


 


E quando jovem, olhava da minha varanda para o "outro lado", parecia-me ser muito longe... outro mundo! Não o sítio onde hoje moro. Afinal tão próximo de casa! 
O Monsanto sempre me atraiu muito mais no outono e no inverno. É impagável percorrer recantos sem enchentes e ruído. Praticamente nós e a natureza, embora se encontre sempre alguém que caminha... passeia, cogita. Inspira. Namora. Flui... com a água, cada folha e ramo. 


 


Como gosto mais de Sintra e dessa voltinha "saloia" no último trimestre do ano. 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Já tenho ido fazer caminhadas pela mata de Monsanto, também já estive no miradouro de monsanto. Gosto muito de andar por lá!

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  2. Olá, Maria!
    É um sítio muito bonito, onde se respira paz e beleza. Agora com muitos lugares melhorados e ainda muitas obras a decorrer nos acessos e demais envolvência, ainda se torna mais especial. Um beijinho e uma boa semana. Muito obrigada pela visita! Tudo de bom.

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  3. Maria
    Monsanto, o urbanismo pensado para a Vida em comunhão com a Vida.
    Urbanização não para este bicho mecanizado, apressado, poluente, alheado da sua Casa, à conquista de tudo, que é Nada.
    ---x---
    Procurar
    Um local de fuga
    Que me abrigue
    Da agressividade gratuita,
    Apenas por sentir diferente.
    Há momentos
    Em que basta
    Uma visão,
    Um som ou ruído,
    Cheiro ou toque,
    Qualquer deles,
    Nos transporta
    Lá ao fundo
    De onde vimos
    Onde as raízes se mantêm
    São os irmãos,
    Os amigos,
    Tão irmãos como os irmãos.
    São os locais míticos,
    Enormes na memória,
    Que o tempo reduziu
    Até a um ponto de luz,
    Nos dias de hoje.
    Aquelas elevações,
    Um pouco mais salientes,
    Mastros de vigia,
    De gajeiros
    À procura de novas Praias,
    Que ficam lá longe,
    À distância de um olhar.
    Há momentos
    Que me dói
    Ir até lá
    E não poder ficar.
    Zé Onofre

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  4. Bom dia, Zé!
    Antes de a cidade ser tão "urbana" já existia o Monsanto. Ainda mais belo que hoje, com o toque de "Midas" (homem) que se muito arranja, algo estraga ou aliena. Conheço o Parque de Monsanto como muitos nunca o conheceram nem sabem o que foi simplesmente engolido em nome do "progresso". Mas uma verdade deve dizer-se. Também há que evoluir e dar novos pontos de interesse, fazer as pessoas irem até "à mata" e comungarem com a natureza. Só que temo que isso não aconteça, ou raramente. As pessoas vão para Instragramar, Facebookar, e usar os espaços sem o respeito ou a comunhão que merecem. è um amontoado de carros de gente ávida de selfies e de sítios que os deixem brilhar. A mata é que deve sr o protagonista, não as pessoas e os seus (filhos) muitos selvagenzinhos (já com idade para tyerem juízo)que estragam, partem e grafitam tudo sem nexo, só para estragar. Enfim!
    De há uns anos a esta parte as pessoas andam com uma aceleração como se tivessem entrado num vórtice de loucura, ou numa daquelas máquinas de aceleração espacias  que não percebem o despropósito nem o quão básicos se estão a tornar e, convencidos da sua muita evolução, educação e sapiência, nunca foram tão estúpidos e vulgares como hoje. Isto tem de parar! Esta aceleração toda este correr àvido sem olhar a nada, tem de ser atrasado de qualquer forma. A pandemia já o fez por um bocado, mas as pessoas em vez de reflectirem e ficarem melhor, creio que ficaram ainda mais animalescas. Já aborrece ir a qualquer lado e ter de "levar" com estes deslumbrados que não respeitam os outros, nem a si, ou nada. 
    Desculpe a minha visão, mas as pessoas actialmente são um grande desperdício de tempo. CXlaro que felizmente existem as excepções. Uma boa semana, Zé! Obrigada pela visita.  

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  5. Desculpe os tantos erros na minha resposta, Zé. Isto já começa a ser crónico. Se de dia o brilho da luz no ecrã é "fatal" para os meus olhos, à noite não melhora. Depois a culpa também é minha. Falava da aceleração das pessoas e deixava de parte a minha "aceleração" a escrever e, claro, a dar erros. Como não me apetece refazer o comentário e quando leio, enquanto escrevo parece bem, só tenho a pedir desculpa do meu (também) despropósito  Boa semana! Obrigada pela visita

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