Bolinhos, Moedas e Santos Defuntos
Em Portugal, no dia de Todos os Santos, ainda há a tradição nalguns lugares de as crianças saírem à rua em pequenos "bandos" para pedir o “Pão por Deus”. Vão de porta em porta, recitando versos adequados ao dia, que passaram de geração, em geração.

Versos da Tradição:
- Bolinhos e bolinhós
- Para mim e para vós,
- Para dar aos finados
- Que estão mortos e enterrados
- À bela, bela cruz
- Truz, Truz!
- A senhora que está lá dentro
- Sentada num banquinho
- Faz favor de s'alevantar
- Para vir dar um tostãozinho.
Se dão doces:
- Esta casa cheira a broa,
- Aqui mora gente boa.
- Esta casa cheira a vinho,
- Aqui mora um santinho.
Se não dão doces:
- Esta casa cheira a alho
- Aqui mora um espantalho.
- Esta casa cheira a unto
- Aqui mora algum defunto
- Pão, pão por deus à mangarola,
- encham-me o saco,
- e vou-me embora.
Se não ficarem satisfeitos dizem:
- O gorgulho gorgulhote,
- lhe dê no pote,
- e lhe não deixe,
- farelo nem farelote
Versão dos Açores
- Dae pão-por-Deus
- Que vos deu Deus
- P'ra repartir
- C'os fieis de Deus
- Pelos defuntos
- De vo'meces...
Quando o peditório é infructuoso:
- Tranca me dáes
- fujo p'rá rua
- E seja tudo
- Pelo amor de Deus
Recebem normalmente: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos. Nozes, tremoços, amêndoas ou castanhas. Que colocam dentro dos seus sacos de pano, confeccionados com retalhos de tecido pelas mães, avós, ou pelos próprios, que os enfeitam a seu gosto.
No dia de pão-por-deus, ou Dia dos Fiéis Defuntos, antigamente oferecia-se pão, bolos, vinho e outros alimentos aos mortos, como forma de sossegar a sua alma; pedir que lhes fosse dado o descanso eterno.
Era comum em tempos que cada vez mais vão perdendo essa expressão, as pessoas pedirem o “Pão por Deus”, porque havia muita pobreza e a necessidade de pedir era muito grande.
As pessoas mais abastadas e solidárias punham as mesas com as toalhas melhores e mais bonitas e, sobre elas, o que tinham em casa de comida e de bebida.

Quando chegavam os (mais) pobres, convidavam-nos a entrar e a comer à vontade. À saída ainda lhes davam algo mais para ajuda do dia a dia. Nalgumas regiões do país também era costume os padrinhos oferecerem o Santoro, uma espécie de broa doce.

Receita para os Bolinhos
(Dia do Bolinho)
Em povoações da zona centro e da estremadura, este dia é conhecido como o Dia dos Bolinhos, ou Dia do Bolinho. Os bolos típicos eram especialmente confeccionados à base de farinha, erva-doce e mel. Noutros lugares levam batata-doce e abóbora. Frutos secos, tais como passas e nozes. Nos Açores colocava-se o primeiro pão da fornada à porta, para quem passasse e tivesse fome, levar.

Em algumas regiões do país:
À meia-noite do dia 1 para o dia 2 de Novembro, arranjava-se uma mesa com castanhas para os parentes já falecidos comerem durante a noite, não devendo depois ninguém tocar nessa comida, porque ela servira os mortos.
— As crianças faziam os “santórios”. Recebiam fruta e bolos, transportando cada uma, uma abóbora oca com figura de um rosto, com uma vela dentro.
— Nos Açores e Pontével dão-se “caspiadas” às crianças durante o peditório. São bolos com o formato de uma caveira.
CASPIADAS

— Nos arredores de Lisboa, antigamente, relembrava-se o que aconteceu no dia 1 de Novembro de 1755, ou seja: o terramoto de Lisboa!
Dia onde as pessoas perderam uns, a vida, e outros todos os seus bens, destruídos na catástrofe. Depois disso, tiveram que pedir “pão-por-deus” nas localidades vizinhas que não sofreram danos, para colmatar os seus prejuízos.
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Actualmente, neste dia, as populações aproveitam também para visitar os seus entes queridos sepultados nos cemitérios de norte a sul do país.
Voltou a ser Feriado, dado que houve uma altura em que isso não aconteceu.
Assim, podem deslocar-se com mais facilidade às terras e cumprir este ritual. Arranjam as sepulturas dos entes queridos, colocam flores, antecipando o dia dos Fiéis Defuntos, porque esse, dia (2 de Novembro) é de regresso ao trabalho.

Com o passar do tempo, o Pão por Deus sofreu alterações e às crianças que batem de porta em porta passou a dar-se dinheiro, além dos rebuçados ou chocolates. Com a implementação do Halloween em Portugal, existe uma ameaça séria à continuidade do “Pão-por-Deus” e às nossas tradições mais ancestrais.

Muitas manifestações portuguesas que importa preservar por fazerem parte da nossa cultura, estão esquecidas!
Um povo que não preza a sua cultura, perde a sua identidade.
Cabe a todos, essencialmente aos que possuem formas de fazer preservar a tradição (governo e restantes entidades), mesmo na família, zelar-se para que ela não morra!
Excelente post!
ResponderEliminarBoa noite!
Bem-haja, José!
ResponderEliminarUma boa noite.
Boa noite! No Minho (terra do meu pai) recebia-se na casa dos meus avós, o Compasso. A mesa era posta com o melhor e a mais bonita toalha de linho. Havia grande celebração e respeito pela data. Em Lisboa, também via antigamente cumprirem-se as tradições, em muitos bairros. Agora é o Haloween e o comércio que move, que entusiasma as pessoas. Muitas nem imaginam como era e as que ainda sabem, já não falam disso. A tradição vai caindo em desuso e é uma pena!
ResponderEliminarPapas de carlo é muito bom!
Muito obrigada pela sua visita, uma boa noite e bom resto de semana!
Boa noite, Maria
ResponderEliminarÉ a sina da história com a qual nada aprendemo.
Estamos a ser colonizados alegremente - na língua, nos ritmos musicais, nos costumes - Infelizmente não somos "irredutíveis tugueses", somos "tuga-anglos".
Que pena tenho de não pertencer a uma pequena aldeia que "resiste ainda e sempre ao Império".
Zé Onofre
Bom dia, Zé!
ResponderEliminarFaço cada palavra sua, minha! Somos uns pobres que "importamos" e imitamos tudo o que é foleiro, achando-o e dignificando-o como válido e, ao que é nosso, às nossas tradições, achamo-las "pindéricas" e há até quem se envergonhe e achincalhe as tradições.
È a riqueza de um país! A sua herança. Mas... enfim.
Já agora, se não se importa de revelar, a que aldeia se refere? Um excelente dia!
Boa tarde, Maria
ResponderEliminar«Estamos no ano 50 antes de Jesus Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos ... Toda? Não! uma aldeia habitada por irredutíveis gauleses resiste ainda e sempre ao invasor. Ea vida não é fácil às guarnições de legionários romanos dos campos entricheirados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum ..."
Esta aldeia situa-se, na imaginação Gosciny e Urdezo, na Armórica, e a estrela da aldeia é Astérix, o Gaulês - acompanhado pelo Chefe Abraracourcix, o Druída Pnoramix, os seus inseparáveis amigos Obélix e Ideiafix, o primeiro cão ecologista da história, e Assurancetourix, o bardo ...
Deve conhecer. Se não conhecer, vale a pena.
Zé Onofre
Não conheço eu outra coisa. Ásterix, Paronamix, Obelix e a sua Fabella e restante família.
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