Três degraus, num vão de escada
Que ficavam ali quem vai para as "Janelas Verdes" vindo da "Prior do Crato", numa penumbra mística que me fascinava, havia uma pequena livraria, papelaria, com um pouco de tudo que era material relacionado com escrita, às vezes já não cabendo nos escaparates e mesas, acumulado pelo chão, bem varrido com vassoura de palha trançada; ponto habitual das minhas incursões, ainda menina, pelos muitos títulos e "coisas velhas" que por lá se encontravam.
Caixas de café pintadas à mão; pequeninas caixas de comprimidos ou rapé; penas, de escrita várias, magníficos tinteiros, alguns de prata, trabalhada, entre muitos retratos dos grandes autores cujas obras "jaziam" por lá, aguardando mão e olhos curiosos que os levassem consigo. Tanta coisa...


Foi aí que O encontrei. A ele e a outros que trouxe num braçado, já manuseados na altura, mas a que sinceramente não consegui deixar ficar. Está comigo há um ror de anos e ficará para quem dele, sei, cuidará.

Era uma edição "dedicada", explicava o Doutor Campos Monteiro numa breve nota introdutória, para estudantes e pessoas cuja compreensão de "OS LUSÍADAS" pudesse tornar-se fácil e a leitura agradável.

Nada relacionado com "OS LUSÍADAS" e o seu autor foi fácil, como sabemos e pode ler-se acima. Hoje devota-se mais atenção "aos nossos", que escrevem felizmente. Demasiada, a meu ver a alguns que sabem adular e movimentar-se no tabuleiro da Vida e da Sociedade, em detrimento de outros que, nunca, por mais que tenham valor, lhes será dado.
Resumindo; aos "Camões" deste tempo, como ao daquele, nunca lhe seremos justos, nem devidamente gratos!
"Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
O que eu gosto destas coisas "velhas"!
ResponderEliminarBeijinho e um bom dia.
E eu, Ana!
ResponderEliminarNão acumulo "tralhas", mas tenho duas telefonias antigas, uma dos meus pais, outra que comprei, um telefone (https://img.fruugo.com/product/9/39/185956399_max.jpg), uma máquina de escrever (não tão antiga como os outros, mas antiga, onde escrevi) um ferro de engomar da minha avó materna, uma panela de três pés (minhota) da minha avó paterna, um "cântaro" de ferro que leva não sei quantos alqueires e que é o meu "chapeleiro", livros e aguma coisa... pequenos tesouros de família, outros pelos quais me apaixonei em feiras, a que adoro ir, e pelas minhas deambulações peleo páis, há sempre quakquer coisa que vem comigo. Um beijinho e um dia feliz!
Eu, para me desfazer de alguma coisa, assim mais para o antigo, tenho que fechar os olhos e mandar logo fora sem olhar...
ResponderEliminarExactamente, igual!
ResponderEliminarHá tempos fiz uma "reciclagem". Ainda hoje me dói. Às vezes gostava de ter outra casa, na aldeia, para poder pô-la a meu gosto! Com coisas de família, as que vamos adquirindo e as que nos vão dando porque sabem que gostamos. Enfim...na cidade, é difícil.
Opto, na maior parte das vezes por dar, a quem goste e trate bem das coisas. Faz-me pena aparte-me delas.
Gosto igualmente e particularmente de "coisas velhas" e não de "tralhas".
ResponderEliminarConto, entre outros, do livro "D. Carlos História do seu reinado", também ele bastante manuseado.
Tenho-o e estimo-o não pela sua raridade (que o não é) ou pelo seu valor que a tê-lo é só intrínseco.
Bem-haja
Olá, Paula! Sim, é isso. Coisas de que gostamos não pela sua raridade ou, de que se fala para evidenciar o valor perante os demais.
ResponderEliminarCoisas "nossas", cuja estima e o respeito pelo legado de quem as criou, nos liga a elas. Obrigada pela visita. Um bom resto de semana!