Outono no Mar

Fotografias minhas
Queria e fui até à Serra (Arrábida) espreitar o Outono na Serra. Raro o vi por lá! Fugitivo como as névoas, que engoliam o mar, atrás das quais se escondia. Vestido ainda de verde seco, só as parras, cá mais para baixo, onde o ar já não silvava frio, mostraram os seus saiotes amarelos-acastanhados.
Na Serra... não havia paz! Não parece Outono. Faziam-se churrascos, motas ziguezagueavam, numa condução intrépida nas curvas, de joelho quase a roçar o chão. Muito ruído, poluição, pouco civismo. Magotes de gente sedenta de sensações de telemóvel em riste. Poses arriscadas. Fugi! Mal pude. Rumei ao mar...

O mar terá muito sal dos meus olhos. Mas na minha pele trouxe muito do que lhe roubei... Nunca devolveremos um, ao outro, o que cada um levou e guardou em lugar que só ele sabe. Mas, tanto a ele como a mim, apraz-nos, especialmente, esta outra alma (que olha o mar) e volta o seu olhar para mim. Entre os três, qual a alma mais pura?

Eu, pobre e tosca humana, pouco valho ao lado desta alma muito mais nobre! E o mar... nem na sua intrepidez chegará para lhe meter medo. A ele não lhe interessa desafiar o poderio do mar, como eu, quer só olhá-lo. Pedir-lhe emprestada um pouco de paz. Respeitamo-nos todos e ao espaço de cada um. Daqui a nada, olhamo-nos-emos nos olhos, ou não, e cada um... seguirá o seu destino, sabendo que ambos/todos necessitamos do mar e dos seus ouvidos. Como de o vermos ondular e rugir, furando o silêncio.
Eis-me, então. Como ele... simples e calados nesta observação. Sem que nenhum partilhe depois o que segredou ao mar. Nem ele, impávido e ondulante, aquilo que ouviu.
Excelente partilha! Obrigada e boa semana!
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