Há um lugarzinho no céu...

Fidelity by Briton Riviere, 1869, Lady Lever Art Gallery, Port Sunlight, Liverpool
Para cada animal. Como o haverá no inferno, se ambos existirem, para cada homem, mulher ou criança que pratique o mal. O que de pior desejamos uns aos outros, o que fazemos abertamente ou por trás, já não é novidade e cada um pode encará-lo como achar melhor. Riposta, defende-se ou ignora. Sendo esta última opção a preferível.
O que se faz a "quem" poderia defender-se, revoltar-se, mas não o faz, mesmo correndo risco de vida, posta em causa pela pessoa a quem é fiel e que ama, é o acto mais ignóbil. Na Argentina, não só lá, "é normal que os cães sejam amarrados aos carris dos comboios..." noutros lados este género de "criatividade" adquire as mais variadas formas, igualmente "refinadas".
A esta altura da vida já não me espantam, chocam ou mexem muito comigo os actos malévolos, tenham o grau de refinação que tiverem; e há-os de toda a espécie, que um e outro conseguem engendrar para dirigir ao próximo. Em contrapartida, enfurece-me e tira-me completamente "dos carris" a vilania dirigida a um animal.
Os "humanos" veem-se como o expoente das espécies habitantes da Terra em relação ao comportamento ideal, inteligência pura e genes únicos. Apaixonados pelo seu umbigo, não lhes sobra tempo para pôr os olhos e aprender com os lobos! Os albatrozes, cisnes, castores, corujas, pinguins...
Nós? A quem damos o nome de "pessoa", nem fiéis conseguimos ser!
Admiro sobremaneira quem nunca deixa o seu animal para trás, pois é outro membro da família e abandoná-lo é inegociável.
Nestas semanas em que a água submergiu a terra, não só lares, colheitas e vidas humanas foram alvo da tragédia. Perguntei-me sempre, porque parece continuar a não ter relevância, quantos animais terão perecido. Quantos estiveram entregues a si, sem comer, sem onde dormir. Tão traumatizados ou mais como os que viram abalar sem olhar para trás?
Não! Não dei conta de ouvir falar nas notícias, com relevo ou significativamente, sobre os animais que as cheias desalojaram, que ainda deambulam desorientados ou que pereceram.
Dói-me tanto olhar para os olhos tristes daqueles seres cuja alma é tão grande que não conhece a raiva e, até quando relegados, se uns dias depois são afagados, não sonegam o seu perdão. Há, sem dúvida nenhuma, um lugar no céu para eles que, de direito, lhes pertence. Já para nós... talvez nem no purgatório.
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