Laços, lembranças e tradições de Natal

 


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Tenho passeado pela mata. Estendido os passeios à borda d'água. Conversado com os meus botões e partilhado conversas. O natal aproxima-se. Pensa-se nele, nalguns ritos habituais que o antecedem. Fazem-se combinações prévias, na esperança de quando chegar o dia tudo corra a contento. E neste mês de profundo desequilibro emocional e físico, entra-se esporadicamente em lojas, detestando gente e demasiado "entusiasmo", para adquirir os materiais normalmente utilizados, dando de caras com alguma inovação que permitirá fazer a mesma "vista" sem sujar tanto.
É o que se pretende, afinal; ainda que, comigo vá um pensamento que trago enraizado na mente e, pouco tem a ver, mas acalento no peito, com um sorriso no rosto. 
A propósito de Centros de Natal e outras coisas que habitualmente faço/fazia para três casas, começou a aninhar-se e a desenvolver-se "do nada" na minha memória a imagem do casamento dos meus pais. Lógico que ao primeiro não fui!
Portanto, refiro-me não à "jura" dos primeiros votos, feitos pelo registo; mas àqueles que resolveram renovar aos 50 anos de enlace, casando-se pela igreja. Aos planos que eu tinha feito, orgulhosíssima e feliz, para a ocasião, inclusive de pedir ao padre para deixar-me utilizar banda sonora, escolhida como todo o esmero e carinho.
Desenrolou-se tudo de forma muito natural, simples e belíssima. Com pouquíssimos familiares mais chegados presentes, ou não fossem igualmente avaros a ostentações desnecessárias, os filhos, noras e netos. "Parece que os vejo no altar! E ao seu ar ainda cúmplice de quem atravessou tormentas, mas levou a melhor!" 
Quem sabe, talvez me vejam também. Queiram que recorde, o registe e assim vá expurgando a dor. Senão porque me assaltariam tais memórias em "vésperas" de natal, neste mês fatídico?
Talvez seja a forma arranjada para eu caminhar, não tão vergada. Não tão sozinha, rodeada dos meus, que acusam igualmente o peso do mês. A contabilidade dos anos. Noutro em que os "naturais" rituais da morte tiveram de cumprir-se em Setembro. 
Se pautará pelo segundo, em que o arranjo de Natal que espero fazer, não ficará noutra casa situada um pouco mais acima, deixando vazia, triste e ausente de brilho e de amor, aquela em que se renovará e manterá a tradição, agora, pela mão da neta.  


 


 

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