Lagoa Azul (2016)
Publicado, em rascunhos, inicialmente em Maio de 2016
(fotografias minhas)

Têm sido várias, muitas, mesmo, as vezes que tentei publicar este passeio. Mas nunca consegui! Agora, após remetê-la para os rascunhos novamente, mais duas vezes, impus a mim mesma não retroceder.

Saímos debaixo de chuva, em direcção a Sintra. Como só faz quem é maluco, com um tempo destes. A água era tanta que não se via a estrada e ponderámos retroceder. Saímos porque era dia do meu aniversário. Mas a tristeza em todos, era infinita, como a do tempo. O meu pai falecera a apenas dois meses.

Mas fomos. Sintra esperava-nos, mais desanuviada, no centro. Sem visão nítida para o Castelo e por isso não avançamos, no que seria em princípio, um passeio alargado às redondezas. Haver muita gente, mesmo num dia assim, desmotivou-nos.

Acabámos por "assentar arraiais" num café distante e sossegado. Bebê-lo quentinho, foi como um abraço. E achámos que não valia a pena continuar. Mas de repente já não chovia. Demos a volta e a caminho de Cascais, vimos uma placa que assinalava... Lagoa Azul.

Seguimos até ver onde levava! Lindo lugar. Calmo. Muito verde! Patos a nadar, nas margens, com os filhotes. Cegonhas. Uma pequena queda de água a fazer-se ouvir!

O que eu precisava naquele momento. E fica-se só. Por ali... a deambular. Acompanhado de quem nos pode ajudar a erguer.

Lembrei-me imenso dele, de quanto gostava de cuidar das plantas, dos animais e de ter a sua horta. Das avencas enormes plantadas em vasos já quebrados, pela força das raízes. Do buxo que circundava o pequeno espaço que cultivava, atrás de casa. Da tesoura com que o cortava/aparava.
Do bidão que recolhia a água da chuva para regar o feijão-verde, o limoeiro, a nespereira, a erva-cidreira. Tanto, que por lá plantou e se comia, com o gosto das coisas plantadas, com o saber de um homem nortenho, habituado os costumes da terra.

O silêncio cura. Faz-nos recuperar o foco.

Esta paz, ajuda a reerguer.

Tirei algumas fotografias, na altura. Também tínhamos levado algo para comer e partilhámo-lo com os patos...

Deviam estar habituados a pessoas, porque vinham ter connosco.


Foi um passeio, com a disposição possível, dados os acontecimentos recentes.

Chegados à Parede, curiosamente, o tempo estava, óptimo! Não fosse o vento agreste e as poças de água, ninguém diria a manhã que estivera.

Há processos de cura que levam uma eternidade. É um defeito meu, já antigo. Levar anos a aceitar as perdas. Mas... para mim, há perdas de que nunca se recupera!
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