No dia de S. Martinho vai à adega...

Fêveras, chouriço assado, castanhas e um licorzinho. Mas podia ser jeropiga, ou vinho novo. Para sobremesa bolo de limão com pedaços de chocolate.

Vinho da Talha
O vinho de talha ou de ânfora não é um exclusivo português. Em Portugal, talha ou ânfora remete-nos logo para o Alentejo, embora se encontre esta prática noutras regiões do país. O vinho de talha terá começado a ser produzido pelos romanos, há mais de dois mil anos. Após colhidas as uvas, o fruto é separado do engaço recorrendo a mesas de ripas de madeira, num processo manual. Mas também podem ser usados métodos eléctricos. Películas, mosto e algum engaço seguem para dentro da talha, esperando-se que a fermentação suceda espontaneamente. À medida que as películas das uvas sobem até à superfície da talha, um rodo de madeira volta a empurrá-las para o fundo. Assim alcança-se mais cor e estrutura no vinho.
Como o barro é poroso, para preservar o mosto de temperaturas muito elevadas, usa-se serapilheira ou panos molhados, com que se envolvem as talhas. Convém que a temperatura não exceda os 18 °C. A fermentação prolonga-se durante uma a duas semanas. Manda a tradição que a abertura das talhas, ocorra no Dia de São Martinho. Momento de celebração!
O vinho pode então ser provado, engarrafado, ou ir directamente para outras talhas mais pequenas. Estes vinhos são normalmente muito aromáticos. Podem ser brancos, tintos ou petroleiros; os brancos têm sempre uma cor dourada e os tintos uma cor rubi clara. Nos petroleiros há uma mistura de uva-branca e tinta. Todos são vinhos de talha.
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