Cabeçudos, gigantones e zés pereiras.

 


 


 




Tradições de Carnaval


 


Em miúda brincava como toda a criança. Adolescente ia com amigas e amigos vizinha(o)s e colegas de escola, do mesmo bairro, aos bailaricos de Carnaval e Santos Populares no Pateo Alfacinha. Sonhado, criado e gerido pelo pai da minha melhor amiga. Da varanda do prédio dela, no segundo andar, em frente ao meu, fazia-me sinal para ir ter com ela.
Bastava pedir à minha mãe e zarpava. Sabia que lá estava tão bem como em casa. De outra janela dela víamos o campo do Atlético e os jogadores a treinar. Lembro-me da paixoneta dela pelo Artur, que iria depois para o Benfica. 
A bem-dizer, todos tínhamos as nossas paixões na altura. Fossem por futebolistas, músicos, ou actores de cinema. Eu "pendia" para o Bon Jovi. Tinha um "poster" dele, atrás da porta do meu quarto. Gostava do Simon Le Beau. E invejava a ambos, na altura, os cabelos e o cabeleireiro. Raio dos homens, tinham aquelas cabeleiras sempre impecáveis!
Mais velhas deixámos de gostar do Carnaval. Juntámo-nos muitas vezes nos Santos Populares. Depois a vida separa as pessoas. Mas não corta os laços. O pai faleceria cedo. A mãe ainda é viva. Uma senhora muito querida!
Este introito por as memórias serem como as ondas. O Carnaval também ir e vir, todos os anos. Hoje não sou grande apreciadora do Carnaval. Farta de carnavais ando eu e muitos portugueses.
Gosto das tradições à mesa do Carnaval. Das variadas terras onde é celebrado que ainda não se deixaram abrasileirar. Gosto da Quaresma que nos leva à Páscoa. Sendo-me, no entanto, um tempo duplamente penoso e triste esta altura. 
Do Carnaval em miúda, gostava dos "Zés-Pereira", característicos das festas e romarias do Norte, Douro e Minho. Mas também populares na cidade. Dos desfiles pelas ruas tocando tambores, bombos e dos gigantones e cabeçudos, que vinham no cortejo. Das gaitas, pífaros e concertinas.
Um Carnaval mais genuíno, desajeitado, feito com a "prata da casa", mas com muito tino. Cheio de graça e a alfinetada "bem metida", aonde não faltava o colorido e a grande criatividade das nossas gentes. 


 


 

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