A caminho da Páscoa
Ando a criar coragem para fazer além, folar salgado, os doces. Cá em casa o que tradicionalmente leva ovos em cima, não tem grande saída. Mas o do Algarve... desaparece num ápice!
Resolvi pesquisar para o efeito algumas receitas e adorei o canal "youtube" desta senhora, muito simpática, de Vila do Conde e o da outra senhora do sul, que nos apresenta o mesmo em três versões e explicam clama e detalhadamente os passos. O resultado é, como se pode ver, de lamber os beiços.
Partilho-as aqui, talvez sem necessidade, por muita gente saber como se faz e ser, também, das terras do bom folar. Contudo, há sempre quem aproveite para pôr as mãos na massa.
Folar do Algarve (Olhão)

Este pode ser também recheado ou salpicado com pinhões e amêndoas.
LENDA DO FOLAR DA PÁSCOA
Reza a lenda que uma jovem chamada Mariana, habitante de uma pequena aldeia portuguesa, à força de rezar a Santa Catarina para realizar o sonho de casar, terão surgido dois pretendentes à sua mão. Ambos seriam jovens, bem apessoados, sendo um fidalgo rico e o outro um lavrador modesto. Indecisa entre qual escolher, Mariana tornou a rezar à Santa e, durante a sua prece, Amaro, o pretendente mais pobre, bateu-lhe à sua porta, para uma resposta da moça, apontando o Domingo de Ramos como data limite para lha dar. Mal teria saído, o fidalgo apareceria com a mesma pergunta e prazo.
Esgotado o prazo, no Domingo combinado, Mariana foi alertada por uma vizinha que os dois se tinham encontrado a caminho da sua casa, no dia em que a visitaram, envolvendo-se a certa altura numa luta acesa. Já diante dos dois homens, Mariana, após pedir mentalmente a Santa Catarina que a iluminasse na escolha, proferiu um nome: Amaro.
O fidalgo ficou muito zangado. De tal modo que alguém o ouviu a jurar vingança e matar o noivo no dia do casamento. Tal cena chegou aos ouvidos da jovem. Atormentada, pegou-se de orações à Santa oferecendo-lhe flores no altar. Num desses dias, ao chegar a casa, deparou-se com um bolo redondo, com dois ovos inteiros colocados nele, como se fosse um ninho e o mesmo rodeado de flores. Exactamente as mesmas que levara ao altar da Santa.
Correu a contar a Amaro que lhe confiou ter recebido, também, um bolo semelhante. Ambos pensaram ser obra do fidalgo e perante tão bonito gesto, decidiram ir os dois agradecer-lhe. Uma vez chegados, o pretendente rico posto ao corrente do sucedido, disse-lhes que também ele havia recebido um bolo igual. Mariana concluiu, que os bolos oferecidos aos três, misteriosamente naquele Domingo, que por coincidência era o da Páscoa, só podiam ser obra de Santa Catarina.
Os bolos tiveram o condão de sanar as discórdias entre os dois jovens e mais passariam a chamar-se Folares e tradição na época da Páscoa, como símbolo de amizade e reconciliação.
Talvez a Páscoa seja a altura ideal para celebrarmos a vida, o amor, a amizade e a concórdia. Pormos acima das coisas vãs terrenas o que importa e não se vê. Tudo que devemos saborear e dar primazia, descartando o que nos (des)acrescenta e gasta.
Possamos ver todos naquele o bolo, o elo (anel) que nos liga/une a todos, independentemente das diferenças de cada um. Um círculo mais, ou menos perfeito, no qual importa não o rigor da "circunferência", mas a ligação homogénea, sem falhas nem intervalos, na sua junção.
Gosto de folar, mas não me atrevo a fazer... na volta sai bem, mas não sei porquê tenho "medo" de fazer...
ResponderEliminarÉ só perder o medo e atrever-se. Se ficar mal, também se come! E para a próxima fica bom! Obrigada pela visita.
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