Uma Estrela-de-Natal que decidiu chegar à Páscoa.

Minha pequena e frágil flor... que determinação!
Chegaste-me num vaso de plástico negro, donde não te retirei, cautelosa, pela mão de alguém muito querido, que me depositou um beijo na face. Vinhas quase "airosa", porém nos dias seguintes... algumas folhas caíram, no caule já meio-desnorteado, repartindo-se por uma e outra direcções, secaram algumas extremidades. Temi o pior. Que nem chegasses ao Dia. Aquele! Com nome marcante, de festa; nome que alguém resolveu levar emprestado e baptizar-te, sendo o teu oficial "Euphorbia pulcherrima", mais comummente conhecida como "Poinsétia":
Dou-lhe razão! Se eu fosse tu, agradar-me-ia mais ser chamada "Estrela-de-Natal" que Euphorbia... qualquer coisa! De repente...

Creio que como eu, quando saio de casa, estranho a cama alheia onde durmo, estranhaste o sítio. O novo Lar. Mas eu esforcei-me, por sentires-te bem-vinda; tento, está provado que embora não as ouçamos, sei que as árvores gritam quando têm sede e cumpro com a rega, ocasional, cuidada, para que também não te afogues.
Mas... será que ouves os pensamentos? Nunca acreditei muito que vingasses. E olha para ti! Uma guerreira. Cinturão negro em arrojo! Mestre em sobrevivência.
Certamente não me desiludirás e celebrarás connosco a Páscoa! Ainda que cabrito, amêndoas, ovos de chocolate, folares, não te digam nada! Juro guardar-te a água mais fresca! Dar-te, como daria à mesa, um lugar privilegiado, ao sol, coado pelas cortinas, para que as pétalas não se firam. Afinal não careces bronzear-te! A tua cor já é linda. Somente necessitas luz. Mimo. Saberes-te entre amigos. Família!
Espero que nos acompanhes Primavera adentro; dês comigo as boas-vindas ao Verão; assistas ao meu lado ao instalar do Outono. Alturas em que terei de tratar-te como uma criança, extremo cuidado, e... por fim, celebremos alegres, o teu aniversário.
A bem-dizer não sei quando nasceste? Quem e quando te plantou? Deve, suponho, ter sido por essa altura. Novembro, Dezembro... que importa? Resistes!
E qualquer resistir é uma lição de incalculável valor. A tua resiliência inspira-me!
Doce "flor-fora-de época", quem diria...
"Uma lenda mexicana tenta explicar a associação feita entre esta planta e o Natal. Uma menina, de nome Pepita, não sabia o que oferecer ao menino Jesus por ocasião da missa de Natal. Não podendo adquirir uma oferta digna da sua vontade, expõe o seu problema ao seu primo, Pedro, que a acompanhava a caminho da igreja. Este consola-a e diz-lhe que é o amor com que se dá uma oferta que valoriza a mesma, especialmente aos olhos de Deus.
Pepita deixa-se convencer e vai recolhendo plantas vulgares das margens do caminho por onde passa. Quando chega à igreja, dá-se conta da pobreza da oferta e chora de tristeza. Tenta, no entanto, oferecer os pálidos ramos com todo o amor da sua alma. Então, frente a toda a congregação reunida no templo, as folhas dos ramos ficam tingidos de uma cor brilhante e vermelha. O povo reunido para a Eucaristia fica espantado e declara o acontecimento como um milagre. Segundo outra versão desta lenda, as flores-do-natal irrompem do chão molhado pelas lágrimas da criança."
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