Para ti, mãe!

 


 



"Be Sure to Wear Some Flowers in Your Hair"


 


Recordo-me perfeitamente que a minha mãe gostava muito desta canção. Como a outras de a ouvir cantá-la amiúde quando estava bem disposta nas lidas caseiras, ou enquanto ocupada também, passava na rádio e lá estava ela, a trauteá-la de fio a pavio. "San Francisco" é uma das canções emblemáticas da década de 1960.
Considerada por muitos o hino da contracultura/reviravolta que começou em 1967. A música foi um sucesso na altura, creio que chegou ao 1.º lugar e teve traduções em várias línguas, perdurando no tempo, como uma amostra do que foi, a luta de uma geração. 
Vulgo vou, porque também não sei viver sem música e acendo logo o rádio de manhã, mantendo-o habitualmente como "pano de fundo" para tudo que faço, inclusive escrever, recordando muitas delas marcantes. Ou porque a ouvia cantar, ou porque gostava imenso de sentar-se e explicar-me quem era o intérprete e factos da sua vida. Acontecia com Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, 
Édith Piaf, Charles Aznavour, Yves Montand, Jacques Brell, Nana Mouskouri, muitos e variadíssimos intérpretes franceses, italianos e diversos, no espectro musical.
Eu ficava a escutar deliciada e a pensar que a minha mãe era cultíssima. Como sabia tantas coisas, não só de música, mas de inúmeros temas que, mais velha ainda, a interessavam e sempre discutiu com lucidez e pertinência fantásticas. Mais tarde, além de gostar das preferências dela, acrescentei-lhe as minhas. 
Porque sou o resultado do que me transmitiu e a soma do que lhe fui acrescentando, acredito que onde estiver ficará feliz com o resultado. Pelo menos, ao nível musical. 


 


 









 
















 

Comentários

  1. Que belas memórias. Obrigada pela partilha.

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  2. Tenho, felizmente, óptimas memórias da minha mãe. Era uma pessoa tranquila, ponderada, mas muito alegre. Tinha uma cultura geral, fantástica. Interessava-se por tudo, adorava ler. Tinha uma forma de ver as coisas e a sociedade, sempre com sobriedade e mente aberta. Ensinou-me tanta coisa... Mais velhinha perdeu muito da mobilidade, mas mesmo assim, ia connosco aonde quiséssemos ir. Às vezes era ela que desafiava. Sempre lúcida, discutia qualquer assunto com uma ponderação que surpreendia. Nós, mais novos, às vezes, nem nos lembrávamos de coisas que a ela não passavam.
    É a vida! A falta que nos fazem os nossos pais é qualquer coisa de inexpressável. Não há como medir essa saudade. Obrigada pela visita e boa Páscoa!

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