Publicação não ilustrada

 


 






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Fotografia minha - margarida/malmequer, 2019 Ponta dos Corvos


 


A bem-dizer quando falamos não ilustramos literalmente o assunto em debate na maior parte das vezes. A menos que se fale da visita a um monumento; um lugar onde verbalmente se ilustre o tema da conversa com detalhes, que quase levam o ouvinte àquele lugar. Ou se converse com aquelas pessoas que sistematicamente acrescentam ao fim de uma frase: "estás a ver? Logo de rajada juntam-lhe: "Não, não estás bem a ver!"
Ora se o sujeito parte do princípio que não vimos, ainda que se esteja a ver desde o início para onde a conversa converge e muitas vezes vontade de a prolongar é nenhuma, o que queremos é ir à nossa vida, para quê contrapor que sim? 
Serão assim as publicações realmente. Na verdade, não precisamos pôr-lhes imagem para enfatizar o que está escrito, se o escrito for pobre e não levar a nada, o resultado é nulo. A menos que se trate de uma revista, um jornal e a imagem apensa "enriqueça" o conteúdo escrito. O que nem sempre acontece! Sangue e tragédias, Tap e afins, embora tenhamos de viver com elas, dão-nos imediatamente vontade de virar a página. Fechar os ditos e pô-los de lado.
Admiro quem ao pequeno-almoço consegue ler o jornal entre a dentada na torrada, bebericar do café e sumo de laranja. Que se deve consumir fresco! Eu seguramente perdia o apetite. Ou agoniava-me. Se há assuntos que custam a engolir, outros mareiam e ficar-se mal disposto logo de manhã... é arruinar o resto do dia.
Repito, para ver se me entra no cérebro, que não preciso ilustrar tudo o que publico! Como não é por não existir imagem, que deixo de ler; o faço com menos interesse, a muito do que vejo por aí escrito. 
Serão muitos anos disto e a ilustrar sempre. A exagerar um bocado nas imagens como quem pretende dar só um "cheirinho" no acelerador e quando dá conta, tem a polícia atrás.
Mas eu gosto de espigas, papoilas, malmequeres. Que os outros mostrem onde foram, falem sobre coisas que viram/conhecem, fazem e eu não conhecia. Toquem-me, acordem para a vida e que me inspirem!
E de partilhar com outros, coisas que descubro, faço e que, hipotecticamente desconhecidas de alguém, ainda, faça-me sentir como se lhes oferecesse um presente. Porque é assim que aceito e guardo tudo que me oferecem. Escrito apenas. Ou também ilustrado. 


 


 





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