Rabo de Peixe - A Série.

imagem: Magazine HD
"I believe I can fly. I belive I can touch the sky..."
Não vou vã gloriar-me de perceber perfeitamente o que sentem muitas das pessoas que vivem nas ilhas. Isso só cada um pode saber no mais profundo de si. Não obstante, enquanto estive na Ilha, diariamente perguntava-me sobre o que eu sentiria se fosse ilhéu. Para mais, quando alguém ao nosso lado está a par e passo a declarar:
"O mar faz-me confusão. O mar dá-me uma sensação esquisita. Não parece natural…"
Ficamos com aquela vontade de fazer como nos desenhos animados; dar-lhe um piparote e pô-lo de pernas para o ar, a ver se "acorda".
Dizia que todos os dias me punha a pergunta: "Se eu vivesse aqui. A sensação de saber que ao redor é só mar e o "sufoco claustrofóbico" tomasse conta de mim, a ponto de destabilizar-me. O que faria? Ao que chegaria para sair daqui?"
Uma das minhas cunhadas é açoriana. Veio para o continente há mais de quinze anos em busca de melhor vida. Por cá se empregou, casou, teve uma filha e embora vá lá, não sei, porque não se aprofunda esse aspecto sem ela emudecer subitamente; ficar com o olhar vago de quem está a vogar nos braços da saudade no meio do oceano e logo a seguir adoptar um discurso gago, cheio de incertezas. Como de vontade de as contrariar. Se um dia regressará... Quem sabe? Talvez velhinha. Sendo que a filha terá a sua família e provavelmente por aqui ficará.
Mas esta publicação é sobre o filme/série Rabo de Peixe!
Um trabalho de excelência! Soberbo. Ao nível dos melhores realizadores e argumento mundiais. Para mais focando a veracidade de um tempo que, afinal não é muito diferente do actual. Fé profunda, muita pobreza e muito trabalho. Maravilhosamente interpretada, que nos deve (é obrigatório) deixar a todos orgulhosíssimos.
Quando ainda há quem desmereça o cinema nacional e os nossos actores!
Na minha opinião, a fazer-se um filme, escrever um argumento que trate do quotidiano e da crueza da vida de alguns, tem forçosamente de ser este. Assim! Com o vernáculo comum, as situações escabrosas. O desespero, raiva, desapontamento e as perguntas célebres: "Porquê a mim, por que razão assim? E Deus, onde está?! Nos seus desígnios insondáveis".
Sim! Porque por mais que se acredite, reze, cumpra os mandamentos, frequente a missa, engrosse as procissões, parece que Deus ri. Tirou férias. Escolheu um punhado de gente para fazer experiências e ver no que dá! Compreendo, quase ao âmago, a necessidade dos açorianos voarem! Cruzarem os céus e ir...
Espero sinceramente, tudo leva a crer, que este seja mais um trabalho premiado mundialmente. Enaltecido por estrangeiros, falado, acarinhado e elogiado por nós! Portugueses.
Que Rabo de Peixe nos faça reflectir! Não só no que aconteceu; na pobreza e falta de tudo ali, mas no que ainda acontece tanto lá, como aqui. Onde parece que nada falta e as oportunidades nascem como frutos nas árvores.
Só que... estamos em seca! Ela vai agravar-se. Vivemos uma guerra, saídos de uma pandemia. O desemprego, dificuldades várias, alterações climáticas, redução das quotas de pescado, tanta coisa se conjuga e não traz consigo ventos de feição... pode, sem dúvida, conduzir a actos e escolhas que normalmente nunca se fariam.
Ponham-se os olhos ali... e não se julgue! Agradeçamos muito, muito pelo que temos. Tentemos repartir sempre esse pouco, por quem nada tem!
Por seu turno quem é abastado, continuará a ser, a acumular riqueza e a humilhar e explorar o pobre. Quanto a esses é caso perdido.
Claro que a máxima. "O dinheiro não traz felicidade" todos a conhecemos. Pensando para connosco que poderá encerrar um nico de verdade. Mas ter dinheiro sempre fez a diferença. Continuará a fazê-la! O que posso dizer com a maior sinceridade?
Gostava tanto, mas tanto de ter ficado mais um dia, ou dois! Neles explorar, à minha moda, Rabo de Peixe! Inebriar-me com a cor alegre das casas, que até parece não morar ali tristeza alguma. Fazerem-se tantos sacrifícios. Adquirir saber, falando com quem, mais que ninguém, sabe contar de si. Provar aqueles sabores. Tirar mais fotografias.
Encher-me daqueles olhares, risos, gentileza, educação (haja gente educada e prestável, está nas ilhas) e dos cantares na voz!
ResponderEliminarConfesso que ainda não carreguei no 'play', mas estou muito curiosa com esta série.
Até porque vem comprovar a realidade dos últimos anos, em Portugal fazem-se muito boas produções.
Olá, Tri! Confesso que adorei a série. Aconselho vivamente. Está aquilo que é a vida nestes meandros. Também se dão umas gargalhadas pelo meio. Estão todos de parabéns, está um trabalho, a meu ver, excepcional.
ResponderEliminarUm resto de bom dia e uma boa semana!
Vi o trailer e não vou ver mais, a minha razão, os actores não tem sotaque, uma falha muito grave, basta ver as novelas brasileiras para entender porque é que são boas.
ResponderEliminarOs actores não terem sotaque pode ser uma pequena, grande falha. Mas acredite que os há lá, provavelmente, naturais da terra a colaborar muito bem, com os do continente. Depois o sotaque pode ser visto e perdoado como um pormenor menor. Quero crer que se falassem tal e qual, alguém havia de dizer que não percebia e que a série devia ser toda legendada. Para mim é menos aceitável que o tio do Eduardo fale mais inglês que português. Não obstante, também é perdoável. O homem diz que foi para América novo e os americanos estiveram muito tempo nos Açores, logo é normal que se "metam" umas inglesices pelo meio
ResponderEliminarAcredite, Alexandre! A minha opinião é a minha opinião, mas perde uma grande série!
Obrigada pela visita! Resto de boa semana!.
Para uma produção nacional, convenhamos que está muito boa. Já o argumento preferi ver numa perspectiva de quase sátira, pois tem erros gritantes de consistência da narrativa. As personagens "continentais" servem para atrair mais publico, pois tem muitas caras conhecidas mesmo a nível internacional, cujo desempenho foi muito bem enquadrado com a época e o resultado está aí, parece que é das series mais vistas no momento no universo netflix. A principal mais valia será a fantástica promoção dos açores cujas paisagens foram muito bem encaixadas na história, com grande destaque para o ilhéu de vila franca do campo. Com certeza que os açoreanos não se vão chatear por começarem a aparecer mais turistas a gastar dinheiro na região.
ResponderEliminarTem erros. Mas qual o filme ou série que os não tem? Para mim o mais gritante e risível é na consagrada sequela de Jurassic Park, um dos mais recentes, a Heroína passar o filme inteiro com uns sapatos de salto que resistem a tudo, sem partir salto e sempre "engraxados". Outros pormenores em filmes com actores conceituados quer de guião, quer de cenário, estão lá! Ora vamos crucificar "os nossos" por algumas incongruências? Não! Quanto ás personagens "chamativas" nos outros filmes também as vemos, ou não? A en~esima "velocidade Furiosa" tem-nos com fartura e diga-se que já "cheira mal" tanto filme daquele. Como outras com que nos brindam ultimamente. Enfim... isto é a minha opinião. Quanto aos Açorianos e ao turismo? Pois! Também penso que há sítios que deviam ficar no segredo dos Deuses sob pena de a invasão dos "Hunos" entrar por ali adentro. Mas... se trouxer melhor vida às pessoas, mais qualidade, desde que não se destrua, qualquer pessoa devia visitar os Açores em vida! Mais que muitos lugares por aí, ali... é realmente o paraíso na terra.
ResponderEliminarObrigada pela visita, caro anónimo!