Serra - Portinho da Arrábida

"Se não estou no Céu, estou nos seus arrabaldes"
Frei Martinho, frade castelhano da Ordem de S. Francisco, Ermida a nossa Senhora da Arrábida, hoje Convento
É assim que gosto dela. Practicamente vazia. Pelo caminho, entre o verde predominante, as vinhas cor de ferrugem despidas e alinhadas como soldados que não arredam pé das fileiras. As casas branquinhas de tectos vermelhos lá, no fundo, como se dispostas pela mão de Deus nos penhascos debruçados sobre o oceano, ou salvaguardadas, folhagem adentro, em socalco.

Fotografias minhas
Deste cheiro, destas águas, pilares, cordas, degraus, pedras, rochas e o sabor do café quente, forte, a aquecer-nos as mãos e a goela, com esta vastidão na frente!

Da canção do mar. Sempre parecida, repetitiva aos ouvidos não atentos. Na realidade, diferente em cada vaga, borbulhar, beijo dado no cais ou no areal.
Das nuvens sisudas, a deixarem transparecer ardiloso um, ou outro laivo de sol, convencido que as fura sem resistência. Erro crasso!
Gosto de voltar assim... Revisitar-nos lá outrora e mostrar-lhe a que sou hoje. Ambas mudámos.
Mas há coisas imutáveis. E ser parte da minha vida é uma delas. A cada manhã em que assomo à janela a vejo e reverencio. Certíssima que se pudesse sorrir-me-ia! E se braços tivesse, acenava-me.
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