Antigamente...

 


 


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Fotografia minha: Museu do Azeite


 


Os nossos avós, mães e pais viveram em condições muito mais complicadas que vivemos nós. Por quem se sacrificaram estoicamente; que os nossos filhos e netos, por quem batalhamos para terem uma vida melhor que a nossa.
Não se vá ao exagero de afirmar que antes é que se sabia o que custava a vida!
As mães de hoje, que dão à luz com todas as condições, chegando ao exagero de exigir o risível, são menos (boas mães) que quem pariu, a "frio" em casa. Recorrendo tantas vezes a simples curiosas, curandeiras e, não as havendo, com a ajuda das outras mulheres da família. Quando calhava, sozinhas! 
Não se afirme que a vida do campo não é o que é hoje! Fazer chegar mercadorias do produtor a quem consumia, se havia dinheiro para as comprar e não eram cultivadas num pequeno torrão para subsistir, era tão fácil e rápido como hoje. Um médico, um professor, tantas vezes obrigados a fazer léguas e pagos em géneros, auferiam o que auferem agora.
E a um polícia era dado colete, "segways", "Walkie-talkies" e todos os "apetrechos" com que os vemos desfilar hoje. Isso é que era bom!
Andavam a pé! Pela cidade inteira. Policiando lugares que só de os mencionar faria estremecer qualquer um. Sem camaradas de apoio. Passeios à beira-mar.
Trabalhavam das 8h, às 16h e, na maioria das vezes, acabado o seu turno, continuavam das 16h, às 24h. Da meia-noite, às 8h. Sujeitando-se ao perigo, a sair-lhes do corpo sem horas de descanso, após 24 horas de turno para obter a parca remuneração, mais "gratificados", que resultavam numa espécie de esmola!
Alguma vez sonhavam, quanto mais podiam falar em sindicatos!
Se por um deslize, coisa ínfima sem repercussão para a comunidade, como fechar os olhos por 5 minutos; expressar um desabafo, qualquer opinião legítima, que chegasse aos ouvidos de um superior, eram severa e exemplarmente castigados! Obrigados, em algumas situações, a entregar a arma, suspensos e em último caso, exonerados da polícia.
Não havia cá redes sociais! Troca de conversas sobre um trabalho que se deve manter privado, combinações e altercações! Muito menos reuniões na via pública. Perturbações da ordem.
Eles eram a Ordem e a Lei! Comportar-se como tal e exercer perante a comunidade a sua acção de vigilância e protecção, a sua missão!
Não! Não digamos que os nossos antepassados tiveram na sociedade um papel muito mais exigente que o nosso! Sem bases nem ajudas fizeram das tripas, coração e foram o que nunca conseguiremos.
Hoje sentados no sofá, apaparicados por todos, com tudo feito e descomplicado num estalar de dedos, somos uma sombra do que eles foram! Temos o que nunca imaginaram ter, mas queremos mais! Mais...
Não se assuma que estamos há décadas a formar pessoas despreparadas, egoístas, mimadas, mesquinhas, sem um pingo de noção e de respeito pelas instituições; um desprezo gritante pelas regras mínimas de sã convivência e a convicção de serem elas próprias a autoridade suprema!       


 


 

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