Cabeçudos, gigantones e zés pereiras.

 


 



Lume & Ar: Gigantones, Cabeçudos e Zés Pereiras


Autor desconhecido, Ilustração Zés-Pereiras, Séc. XIX_XX

 


Bombo Património de Portugal




Tradições de Carnaval


 


Em miúda brincava como toda a criança e adorava o Carnaval. Já adolescente ia com amigas, amigos, vizinha(o)s do bairro, e colegas de escola, aos bailaricos de Carnaval e dos Santos Populares no Pateo Alfacinha. Sonhado e criado (em 1981 por Vitor Seijo), pai da minha melhor amiga. Da varanda do prédio dela, no segundo andar, em frente ao meu, fazia-me sinal para ir ter com ela. Bastava-me pedir à minha mãe e zarpava.
Ela sabia que lá, estava tão bem como em casa! Da casa dela víamos o campo do Atlético. Os jogadores a treinar. Lembro-me da paixoneta dela pelo Artur, que iria depois para o Benfica. 
A bem-dizer, todos tínhamos as nossas paixões na altura. Fossem por futebolistas, músicos, ou actores de cinema. Eu "pendia um bocadinho" para o Bon Jovi. A ponto de ter um "poster" dele, atrás da porta do meu quarto. O que eu "invejava" aquele cabelo. Sempre bonito, ondulado. Gostava também do Simon Le Beau. Raio dos homens! Além de giros, tinham aquelas cabeleiras sempre impecáveis!
Mais velhas deixámos de gostar do Carnaval. Juntávamo-nos muitas vezes nos Santos Populares, também no Pateo Alfacinha. Belos tempos!
As memórias são como as ondas. Assolam-nos quando menos se espera. O Carnaval também. Vai e torna todos os anos. Hoje continuo a não ser grande apreciadora do Carnaval. Farta de carnavais ando eu e muitos portugueses!
Mas gosto muito das tradições à mesa do Carnaval. Dos costumes nas variadas terras onde é celebrado e que ainda não se deixaram abrasileirar. Gosto da Quaresma! Que prepara para a Páscoa. Sendo-me, agora, um tempo duplamente penoso e triste esta altura. O meu pai faleceu na noite de um domingo de Páscoa. É duro não os termos ao lado.
Voltando ao Carnaval: em miúda, gostava dos "Zés-Pereira", característicos das festas e romarias do Norte, Douro e Minho. Também populares em algumas cidades. Dos desfiles pelas ruas tocando tambores, bombos e dos gigantones, dos cabeçudos, que vinham no cortejo. Adorava o som das gaitas, pífaros e concertinas.
Um Carnaval mais genuíno, desajeitado, feito com a "prata da casa", mas com muito tino. Cheio de graça e de alfinetadas "bem metidas", aonde não faltava o colorido e a grande criatividade das nossas gentes. 
Às vezes a vontade de ir até um dessas terras onde se festeja a rigor assalta-me. Mas acabo por não ir. Detesto multidões, filas de carros, tantas vezes a desencadear desacatos quanto toda a gente converge para os mesmos sítios e acaba-se mais irritado e cansado, sem ver coisa que valha a pena.
Deixei de alugar casa neste período e ainda que fossem três ou quatro dias de descanso, não compensam os preços. Tampouco o dispêndio em portagens e gasolina. 
Deixo-o mais para a frente. E então sim... é relaxar, passear e fazer o gosto ao palato. No Carnaval cá em casa, faço por cumprir a tradição. Com bons petiscos, descanso e um giro nas proximidades. De preferência com a família à volta!
A bem-dizer... não desgosto completamente do Carnaval, mas para mim ele é a tradição. Das nossas gentes, aldeias e lugares. Tão bonitas. Tão cheias de história e de encanto. Do esforço de cada um para construir algo genuíno.


 


 



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