Manhãs de Inverno

Um passeio matinal para desentorpecer as pernas. Um café para espantar o frio, ainda que o sol marque presença. Uma suculenta qual Mickey Mouse…

Reforço enquanto caminho várias certezas e predilecções. Gosto dos dias frios com sol. Do café acabado de beber quente e amargo, que nos acorda por dentro, revolvendo e expulsando a típica lentidão dos dias cinzentos. Desta calma. Preciosíssima. Longe do ruído das conversas vazias, escapes, rodas, arruadas. Sentar-me a olhar o mar, birrento, hoje. Polvilhado de pequenas manchas de espuma que, quando era miúda, alguém baptizava de "carneirinhos".

Gosto de regressar a mim. Da minha companhia, tanto como da minha solidão. Remexer a areia... "Ao Deus dará". Recolher conchas e pedras. Andar sem destino nem termo. No meu vagar. Gosto de viver ao meu modo. Ainda que haja dias que me convenço que desperdiço.
Da música que vou trauteando baixinho sem me importar se pensam que falo sozinha. Do recorte das arribas forradas a verde debruçadas de peito aberto sobre o oceano. Da indolência das ondas, a desmaiar exauridas no areal. Daquele rasto de água que sobra e tão breve se evapora, mas antes… um punhado de minúsculas estrelas lançadas por Deus à Terra, pareceu nele refulgir.
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