Jardim da Moita - Ouvi-los e apreciá-los como em tempos...

 


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Fotografias minhas


 


Quando era miúda e depois jovenzinha, muitos dos meus dias foram passados no Minho. Terra natal do meu pai. Na casa tradicional de granito dos meus avós e toda a envolvência onde se inseria, "adiante" a Quinta do Prado, com o seu pomar e o maravilhoso jardim em baixo. As rosas, japoneiras, dálias, crisântemos, buxos desenhados, a formarem nichos onde nos podíamos sentar e uma ala extensa, por onde altas horas desfilávamos de passo apressado a caminho da estação. 
Ou percorríamos calmamente, acabados de chegar, para encontrar o meu avô com os seus lindos olhos azuis esverdeados que pareciam rir de alegria, sentado à nossa espera, na sua cadeira forrada de cortiça. Igual à mesa, onde outras cadeiras nos esperavam.
O cheiro característico das colmeias ali perto, do vinho a maturar na adega; o das medas, das hortas e dos campos de milho. Até do cloro da piscina, mais acima... e o som dos pavões! Que deambulavam livremente pela quinta. Largando as lindíssimas penas que eu apanhava encantada. Fizeram-me retroceder hoje vertiginosamente aos tempos mais felizes da minha vida.


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Tempos que só rivalizam, sem suplantar, se comparados com os vividos na Vieira de Leiria, S. Pedro de Muel e envolvências do Pinhal, onde os meus primos, com casa na Marinha Grande, foram tão marcantes e das pessoas que mais saudades tenho, também.



Neste, como noutros, as crianças ouviam-se nas suas correrias e brincadeiras nos muitos "equipamentos" distribuídos pelo lugar. Os cágados ao sol, fugiram e mergulharam mal ouviram passos. Os patos não!
Não obstante, a mim e às minhas narinas, só chegava o odor familiar e querido que rasou os olhos de lágrimas. O mesmo e inexplicável cheirinho que as minhas filhotas haviam de experimentar mais tarde e ambas recordam ainda vivamente, quando visitávamos os meus tios. Falecidos já os meus avós. Revi a vila, as feiras, as romarias. O castelo.
Quanta saudade de Cabeceiras, MondimAmaranteFelgueiras, Fafe, Fermil, Gandarela. Da Lixa, dos seus linhos e bordados, alguns guardados ainda no baú por tão mimosos serem. Para quê? Enfim...



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Pode ser apenas um jardim bonito e agradável. Mais um. Na margem norte ou a sul. Achar-se nada de sensacional, pavões! Saberem tudo sobre eles. Contado pelo vosso pai, ouvido do seu, vosso avô. A quem, o pai dele contou.
Nisto: Deste ensinamento, transmissão de hábitos e valores, mais de cem anos decorreram e uma coisa é certa! Nós também passaremos.


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Mas os jardins perdurarão para os apreciarem outros, os seus filhos e netos, após nós. Existirão sempre belezas. Entre elas os pavões, os seus sons fabulosamente estridentes e magníficos. Quem sabe, alguém que conte e escreva histórias sobre pavões.
E nisto: cem, duzentos, trezentos anos se passarão. Os hábitos e valoreis que nos norteiam, as paisagens, sons e cheiros que nos marcaram, serão eternamente transmitidos.
Aqui é que reside a importância e o verdadeiro valor das coisas! O que caracteriza a Humanidade.


 


 

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