Bosque do Silêncio - Sintra

Fotografias minhas, Agosto 2024
Hoje acordei convencida que o Outono chegara. Estava errada! Não sei o que Setembro tem. Tal como não sei, realmente, para onde vou. Mas de certeza pertenço aqui!

Por aqui andei há muitas eras com os meus, entre névoas, calhaus, chuva e humidade nas serrarias. Calcorreando trilhos, caçando para subsistirmos. Respeitando estes lugares sagrados, como à caça, sempre. Gratos por dar-nos sustento. Entre neblinas e demais humores do tempo, que perduram há séculos. Reservando, para si, a história dos homens e mulheres que os calcaram.

Sintra (Bosque do Silêncio) é este lugar sem tempo! Onde todas as belezas parecem ter ficado cativas num encantamento que se espalha por ruas, casas, palácios, árvores protectoras, plantas sagradas, curativas e outras. Todas com as suas histórias e propriedades fascinantes. Em que cada milímetro de solo parece bafejado pela magia dessa varinha de condão que neles concentrou tanto de real e palpável, como de etéreo.
É um local encantador e ainda mais quando a névoa o invade, assim de mansinho de Inverno e de Verão, porque o Inverno tresmalhado, gosta muito de passar por cá, todos o dias.
ResponderEliminarAlguém do meu meio costuma dizer que não vivia em Sintra nem que lhe oferecessem casa aí. Eu, não podia discordar mais! Num cantinho qualquer fazia "ninho", desde que pudesse ter o essencial para viver, bebendo esta magia e este ar, só comparável aos sítios sagrados e únicos no mundo, adornado por estas pedras, este cenário irreal ímpar... é a minha "cara!" Esta névoa, o quase frio, no verão... esse Inverno tresmalhado.
ResponderEliminarNo dia, 5.ª feira, em que fui, chovia. Aqui é um dos pouco lugares, onde me realizava. Bastava-me um casebre seguro, uma casinha simples térrea, sem grande aparato. Enfim...
Obrigada pela visita, Vagueando! Bem-haja pelo comenário. Um bom fim-de-semana e tudo de bom.
Viver em Sintra é um privilégio, viver na Serra (ou no sopé que é o meu caso) é uma dávida de Deus. Sempre vivi por cá e este clima, de que tanto dizem mal, tem acabado por ser a salvação de Sintra. Só é pena que Sintra tenha duas facetas completamente opostas, a zona rural as praias e a serra e a zona densamente povoada que já nada tem a ver com o que é considerado património mundial. Diria que as políticas e os interesses (legítimos bem certo) de uns e de outros são completamente opostos pelo que, em meu entender, deveriam ser duas autarquias separadas.
ResponderEliminarVolte sempre.
Concordo consigo! Creio que acontece o mesmo aqui com a Serra da Arrábida. Cada vez mais cheia de "mirones". Gente que não respeita a natureza, nem sequer, quem com eles se cruza na estrada. Tanto que já deixei de ir à Serra (Arrábida) como antes ia. Agora só no fim do Outono, começo do Inverno e ainda assim... como bem diz, considerar-se património mundial, quando se desrespeita tudo ou maior parte do que significa? Por aqui candidatarem-se a Reserva da Biosfera? Quando nela (Arrábida) há uma fábrica da Secil há anos? Não se admite! Enfim.
ResponderEliminarMais uma vez obrigada e volte também sempre que queira. Aqui está em sua casa.
Há lugares que nos moldam sem pedirem licença. Sintra é um deles. O Bosque do Silêncio tem essa força antiga — guarda histórias, mas também devolve pertença. As tuas palavras captam exatamente isso: o lugar onde o real e o etéreo se tocam. O que escreves devolve‑me memórias de passos antigos, de neblinas que parecem sussurrar nomes. É bonito ver alguém escrever sobre esta terra com o mesmo respeito e encantamento que sempre senti por ela.
ResponderEliminarDeixei Sintra há 17 anos. Obrigado por me trazeres de volta.
Sintra, para mim, é e sempre foi outro mundo, outro nível. No encantamento das brumas há algo intocável, mas bem presente, que só quem está aberto a "ouvir" e "senti-lo" pode entender. Cada pedra, cada galho, tem alma, voz e conta uma história de vivências passadas, no presente, que espero perdure e propague no futuro, tocando todos os que são sensíveis a esse sortilégio! Que jamais se conspurque a sacralidade de Sintra. Obrigada pela visita.
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