Primeiro o dever, depois o lazer

 


 


telha2.jpg

Hoje, depois de votar, rumei à Fonte da Telha. Mais que ciente das recomendações, desde há uma semana, cismei em ver os estragos. E, se desse para uma breve incursão e trazer um pouco de água do mar, curativa, nestas ocasiões em que andamos todos um pouco "fanhosos", trazê-la-ia.
Temerosos com o possível gelo da água e com a sujidade que a areia molhada provoca, marido e filha quiseram demover-me. Eu? Avancei e molhei-me, apesar de arregaçar as calças quase até às virilhas com uma onda malcriada a que outras se juntaram, repletas de espuma branquinha, que se me apegou aos pés e pernas, deixando-me coberta de bolhinhas brilhantes, como se, de repente, as águas quisessem transformar-me num ser do mar. Atrás de mim, riram-se. Mas trouxe o garrafão quase cheio!

Telha1.jpg

É grande a devastação quer nas arribas, com árvores caídas, raízes em evidência num emaranhado triste e visão perigosa, se pensarmos que os terrenos estão ensopados e, se desabar uma delas... só acaba no mar. Casa, ou café que se lhe oponha, no meio, tomba, sendo mais uma tragédia à espera de acontecer.

telha8.jpgO Swara Beach Club House

telha7.jpg

Ali onde está aquele casal, havia um bar de "apoio" bastante convidativo, que quem conhece vê que não existe. As muitas e bem imaginadas áreas mais à beira-mar também foram atingidas.

telha4.jpg

O mar agitado, mas longe de bravo, era refúgio de muitos que, tal como eu, quiçá, resolveram aproveitar uma réstia de sol e ver a costa passeando ou inteirando-se da devastação. O areal é um depósito de lixo, troncos, um pouco de tudo que as marés vomitam.

Há crateras fundas nas dunas próximo dos bares, buracos onde a água se entranhou, mastigando a areia, cuspindo-a a seguir pelos regos que cavou para escorrer. Até alguns blocos de cimento que marcavam a estrada estão, qual bola de papel amarrotado, atirados ou caídos nas "valas". Talvez não se veja bem nas fotografias que tirei, que, no que respeita às falésias e às árvores tombadas, cruzadas entre si qual jogo de Mikado, não dá para retratar senão com máquinas precisas e objetivas potentes. 
A estrada, em muitos lugares, deixou de ser alcatrão, sendo só areia empapada. 



 

Comentários

  1. Eu fiz o contrário. Fui treinar e depois fui votar. Hoje, devido ao vento frio, optei por ir treinar mais para o Interior. As imagens que nos chegam são impressionantes e devem fazer-nos refletir sobre a erosão costeira. O tema não é novo, mas a cada Inverno, mais um bocadinho de terra é "comido" pelo mar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Verdade! O mar vai reclamando, todos os anos, aquilo que lhe pretence. Sim estava fresquinho, mas como havia sol, o "aventurar-me" a dar uma voltinha. Fez bem em ir treinar antes. O que interessa é que votou! Uma boa semana. Tudo a correr bem!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares