A moda de Privatizar, proibir, vedar

Fotografias minhas
Perdi a conta às vezes que cruzei a Serra da Arrábida de uma ponta à outra desaguando em Setúbal, vinda do Portinho, Figueirinha, Sesimbra, umas vezes para um simples café, bebido na esplanada com vista para o mar, a que juntava o delicioso bolo de claras e pinhão. Outras após um passeio para o tradicional almoço em que degustávamos o bom peixe fresco. Mas, também, deambulei vezes sem conta pelos areais dos Coelhos, Albarquel, com o belo promontório de Troia à vista, bem como outros onde ia para apanhar pedras e conchas que posteriormente transformávamos em bonitos trabalhos artesanais.

A estrada serpenteante deixando imaginar nos recortes das falésias o mar lá ao fundo, para trás tinham ficado já as vinhas, as encostas mais íngremes da serra, onde algumas casas pareciam desabrochar no meio da folhagem, assim como um ou outro restaurante e fábricas de artesanato, nunca ninguém no-la barrou.
Tampouco impediu o livre acesso por meio de sinais empunhados, argumentos inaceitáveis e, quiçá, ameaça verbal subliminar, de singrar por qualquer recanto.

Mas actualmente "criou-se a moda" dos "títulos de propriedade", alegadamente vindos em certos casos do tempo de D. Luís, que transitariam até aos dias de hoje, no sentido de proibir o acesso tanto à areia como ao mar, aqui em nome da Herdade da Comenda, na Comporta, em favor dos muitos "VIPs estrangeiros" que se instalam cada vez mais por ali, ficando-se no Algarve mais modestamente pelo veto dos chapéus na frente das concessões.
Enfim!
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