Talvez se houvesse quem

 


Fotografia minha, Pinhal de Leiria, 2011


Em tempos de boa memória e glória de Portugal, El-Rei D. Afonso III ordenou a plantação das primeiras árvores para fixar as dunas e proteger os campos da areia que os invadia. Na mesma ordem de pensamento e estratégia, D. Dinis estenderia a plantação do Pinhal de Leiria a áreas que hoje infelizmente conhecemos e foram devastadas na sua grandeza, demonstrando na altura uma visão progressista e benéfica para o país.

Digo eu que talvez se hoje existissem homens capazes e interessados na defesa desses mesmos campos e áreas do nosso Portugal, tão carenciado de quem o administre no sector agrícola como noutros, assegurando que o território dava o devido sustento a quem trabalha, haveria maneira de suster os incêndios com o tipo de cultura adequada para impedir o avanço das chamas e a destruição massiva da terra, como impediria as pessoas de emigrarem, sentindo-se valorizadas, acompanhadas e respeitadas na sua pátria.

Forçosamente, creio, existirão culturas "capazes" de atrasar ou até "repelir" o fogo de modo a que o prejuízo não fosse tanto, as casas salvaguardadas e os terrenos poupados. Houvesse vontade, com orientação e algum  sacrifício que se estenderiam pelo tempo necessário, poder-se-ia inverter o cenário trágico a que assistimos todos os anos. Mas que sei, ou posso, eu?




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